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domingo, 1 de julho de 2012

PERDOAI OS VOSSOS INIMIGOS


No Evangelho de Mateus, quando Jesus ensina como rezar, dando aos seus discípulos a oração que deveriam rezar, o Pai Nosso, Ele lhes diz:
“De fato, se vocês perdoarem aos homens os males que eles fizeram o Pai de vocês que está no céu também perdoará a vocês. Mas, se vocês não perdoarem aos homens, o Pai de vocês não perdoará os males que vocês tiverem feito” (Mateus, 6:14 e 15).
Em outros momentos, Jesus também fala sobre o perdão e a tolerância com nossos irmãos. Por exemplo:
“Se o seu irmão pecar, vá e mostre o erro dele, mas em particular, só entre vocês dois. Se ele der ouvido, você terá ganho o seu irmão” (Mateus, 18:15).
Pedro se aproxima de Jesus e lhe pergunta: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mateus 18:21 e 22).
Seguindo a essa afirmação, Jesus compara o Reino do Céu com um rei que depois de perdoar a dívida de um de seus empregados, fica sabendo que ao sair dali, esse mesmo empregado, mandara um homem que lhe devia para a prisão. Mandando buscá-lo, repreendeu seu comportamento e o castigou também com a prisão por sua dívida.
Também, após o sermão da montanha, Jesus ensina que devemos amar como o Pai ama. Refere-se em primeiro lugar à famosa lei, do Antigo Testamento, sobre amar aos amigos e odiar aos inimigos. Expressou-se da forma a seguir.
“Vocês ouviram que foi dito – ame o seu próximo e odeie o seu inimigo. Eu, porem lhes digo: amem os seus inimigos e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre os maus e os bons e a chuva cair sobre os justos e os injustos” (Mateus 5:43 a 45).
Ainda em Mateus, lemos:
“Vocês ouviram – olho por olho, dente por dente. Eu, porém lhes digo, não se vinguem de quem fez o mal a vocês. Pelo contrário: se alguém lhe dá um tapa na face direita, ofereça também a esquerda. Se alguém faz um processo para de você tomar a túnica, deixa também o manto. Se alguém obriga você a andar um quilômetro, caminhe dois quilômetros com ele” Mateus 5:38 a 41).

Na nossa sociedade o perdão é visto, na maioria das vezes, como fraqueza por parte daquele que perdoa. É visto também como falta de auto-estima, pois não se sentiu ofendido.

Devemos, antes de qualquer coisa, para entender as passagens do Evangelho, saber o que é o perdão preconizado por Cristo.

O perdão, por ele pregado, não é ser omisso perante aquilo que tem de ser mudado; não é apoiar comportamentos que nos prejudicam e nos machucam ou prejudicam e machucam à sociedade como um todo.
Isso, quando o fazemos, é apatia, é indiferença, é egoísmo.

O perdão preconizado por Cristo é compreensão para com os defeitos de nossos irmãos, é tolerância, é uma postura que se inicia no nosso íntimo, se prolonga nos nossos atos e retorna ao nosso íntimo, para que o véu do verdadeiro esquecimento caia sobre o acontecido e este nunca mais volte à luz.

Visto isso, o que quer dizer Jesus quando nos pede que amemos aos nossos inimigos? Na verdade, Jesus propõe, aqui, uma contradição. Se eu amo alguém, eu não o considero como inimigo. É exatamente isso que ele quer nos dizer: não devemos ter inimigos, considerar alguém como inimigo, porque senão tudo que falarmos ou fizermos será falso. Como amar alguém contra o qual temos algo em nossa mente e em nosso coração? O próprio Jesus nos legou o ensinamento de que:
“Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta” (Mateus 5.23-24).

A oferta, que aqui se refere Jesus, são nossas preces e nosso amor ao próximo. Portanto, antes de dizer que amamos nossos inimigos, antes de rezar por eles, amemos a nós mesmos, rezando por nós, para que tenhamos a evolução espiritual que nos permita, realmente, amar a todos nossos irmãos, sem a falsidade daquele que diz: perdoar eu perdôo,mas não esquecerei, jamais.


Esta é uma declaração de perdão que, como diz uma comunicação do espírito de Paulo, inscrita no Evangelho segundo o Espiritismo (ESE 10:15), “um perdão dos lábios” e “não um perdão do coração”. Essa comunicação inicia dizendo: “perdoar os inimigos é pedir perdão para si mesmo”. 


Se amarmos nossos irmãos como a nós mesmos, saberemos perdoar àqueles que de alguma forma nos atingem ou atingiram. Não importa como eles nos consideram, importa como nós os consideramos. Se para eles somos seus inimigos, terão, por isso mesmo, que aprender, nessa ou em outras encarnações, a tirar a raiva, a mágoa, a inveja, a intolerância e outros sentimentos desse quilate de seu coração. Como nos ensinou Jesus, não deixaremos a rotina de nascer, morrer e reencarnar, enquanto não tivermos pagado o último ceitil, purificado nosso espírito e enquanto não tivermos nosso espírito plenamente luminoso.





Todas as citações aqui feitas foram tiradas da Bíblia Católica – Edição Pastoral – Ed. Paulus – 15ª Ed. e do Evangelho segundo o Espiritismo, de Alan Kardec, 2ª Ed -  2010 -  Ed. Besourobox

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A RESPEITO DA TRINDADE NAS RELIGIÕES TRINITÁRIAS


Tornaram-se, a compreensão e a explicação da Santíssima Trindade pela Igreja Católica, problemas insolúveis, a ponto de Santo Agostinho, um dos maiores teólogos daquela Igreja, afirmar que somente alcançaremos a compreensão da Santíssima Trindade, quando após nossa morte encontrarmos, no céu, com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Devemos lembrar que ele chegou a essa conclusão após escrever uma obra de cerca de setecentas páginas.

Por outro lado, São Tomás de Aquino, que não admitiu ser incompreensível a Trindade como formulada disse:
“A fé católica consiste em venerar um só Deus na trindade, e a trindade na unidade, sem confundir as pessoas, nem separar a substância; pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas uma é a divindade, igual a glória, coeterna a majestade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Qual o Pai, tal o Filho, tal o Espírito Santo; incriado é o Pai, incriado o Filho, incriado o Espírito Santo; eterno é o Pai, eterno o Filho, eterno o Espírito Santo; e, no entanto, não há três eternos, mas um só eterno; como não há três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso; assim também o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente; e, no entanto, não há três onipotentes, mas um só onipotente.
Como o Pai é Deus, assim o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus, e, no entanto, não há três deuses, mas um só Deus.”

Como vemos, aqui, não há nessa explicação de São Tomás um esclarecimento, mas, simplesmente, a repetição daquilo que ele propõe explicar como se a sua repetição fosse suficiente para que, talvez por cansaço, pudéssemos compreender. Sua explicação não passa de uma definição daquilo que deve ser definido por ele próprio. Ou seja ele recai, em sua tentativa de explicação, naquilo que se chama uma tautologia. 

Na verdade, a Igreja Católica retirou das religiões antigas do oriente, várias de suas colunas estruturadoras; a Trindade é uma delas, pois já existia, por exemplo, no Antigo Egito e na Índia. No Egito, os formadores dessa trindade , mas também era una, eram  Osiris, Isis e Horus. Na Índia, as componentes da trindade eram:  Durga, aquela que gerava, Lakshmi, a responsável pela preservação e, finalmente, Kali a que destruía. Ou seja, cobria-se o ciclo da vida, nascer, viver e morrer. Também nas civilizações grega, babilônica e na romana existiram sempre três deuses que seriam, na verdade, um. Ou seja, a Trindade, não foi uma invenção da Igreja Católica. 


Mas, pelo fato de existir nas antigas civilizações isso a tornaria, a Trindade, fantasiosa, mentirosa ou demoníaca, como querem alguns cristãos unicistas, em especial evangélicos? Ou podemos dizer que foi a interpretação dada, forçadamente, para justificar passagens bíblicas e necessidades da Igreja Católica, que foi concebida de maneira errada?

Ao tentar mostrar que o Pai, incriado e eterno, é uno com o Filho, encarnado em um homem, histórico, nascido, criado e morto na terra e, ainda, com o Espírito Santo, entidade incorpórea e sem uma definição clara do que é, a Igreja viu-se enredada com a impossibilidade de dar estas explicações. 

Em Santo Agostinho temos diversas passagens onde ele se aproxima da solução desse problema. Numa delas ele fala a respeito da transformação da substância do Filho na substância do Pai, mas ressalva que isso pode ser aceito somente se considerarmos que isso se dá depois da ascensão, já que antes Cristo diz que “o Pai é maior que Eu”, o que retira dele a condição de ser Deus.

Aqui, portanto ele faz uma diferença crucial entre o Jesus e o Cristo (enquanto Energia Crística ou Divina). Ora, após a morte, que é quando se dá a ascensão de Cristo, o que se desprende é o Espírito. Portanto, o que ascende e se funde a essa Energia Divina, após a morte de Jesus, é seu Espírito plenamente evoluído, iluminado, mais do que isso, luminoso.

Ora, a Igreja jamais aceitaria essa interpretação, pois ela levaria a diversas outras que desembocariam, inevitavelmente, na questão da vida após a morte.

Giordano Bruno, julgado e condenado, pela Inquisição, por suas idéias, vislumbrou essa solução quando definiu que Deus está em todas as coisas que são sua criação




segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Teologia da Umbanda III

Os Orixás na Umbanda não são vistos como nas diferentes nações da África.  Lá em sua origem eram vistos como o espírito de um ancestral que muito havia feito pelo seu povo.  Sua força se localizava em ações tais como na área da guerra, da agricultura, da justiça, da manutenção da união tribal, da medicina, ou outras que beneficiavam aquela nação ou aldeia.

Na Umbanda o Orixá é visto como uma forma da energia divina se manifestar na terra, através dos diversos elementos e em toda criação de Deus: água, terra, ar, fogo, pedra, animais, matas, folhas, raios, etc.. Eles são manifestações das energias cósmicas através dos elementos de natureza. 

Para entender o que é o Orixá é necessário que nos abstraiamos da tradição das outras religiões, que somente conseguem entender Deus a partir do homem. Assim, para as religiões que têm essa visão antropomórfica de Deus, ele é o “homem” perfeito, o bondoso, o que ama, o que pune, o que ajuda, etc..

Apesar de toda essa concepção, contraditoriamente, dizem que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus.  Se definimos Deus, a partir da sua criação, na verdade não O estamos definindo. A sua criação tem a sua energia, mas não é Ele. Portanto, explicar, mostrar, definir, enfim, ensinar o que é Deus é impossível. Deus é indizível, inominável, indefinível. Quando Moisés lhe pergunta, “de quem digo que recebi essa orientação?, Ele lhe responde: diga apenas que Eu Sou”.
Orixá como já dissemos, anteriormente, não é divindade, pois na Umbanda cremos num único Deus. Mas o Orixá é a manifestação da energia de Deus no Universo.
Em nosso planeta, entendemos a manifestação do Orixá, através das forças da natureza, pois é aquilo que conhecemos. No entanto, Deus não se limita a este planeta, mas abarca todo o Universo.
Mas, agora, como os Orixás se manifestam ou nos beneficiam na Umbanda?
Na Umbanda, temos sua representação através de Sete Raios, que representam sua linha vibracional, estando no mesmo raio aqueles Orixás cujas vibrações sejam harmônicas. A manifestação do Orixá na Umbanda se dá através da alma de um devoto daquele Orixá.  Assim o médium não recebe o Orixá, mas sim um seu devoto que já se encontra no plano espiritual (caso recebesse o Orixá seria inviável resistir à imensa energia que eles representam).  Esse devoto é uma alma, como o é o Preto Velho e como o são os Caboclos e todas as outras entidades que chegam na Umbanda (que é fundamentalmente uma religião de almas). A diferença entre a manifestação das almas e do devoto é que a finalidade desse último é reverenciar, homenagear o Orixá, pois não fala, não dá passes, apenas manifesta sua energia. Essa energia pode também se manifestar em um filho, através de um devoto, em uma necessidade de saúde, de harmonização, de fortalecimento e em qualquer outra onde a presença do Orixá beneficie o seu filho.
 Os Doze Orixás, distribuídos nos sete raios,  cultuados em nossa Umbanda são: Oxalá, Omolu, Oxossi e Ossãe, Xangô e Iansã, Oxum e Oxumaré, Ogum e Ibeji, Iemanjá e Nana.
Vinculados a esses Orixás temos as diversas linhas de trabalhadores da Umbanda, que são almas que se manifestam através dos diferentes tipos de mediunidade ou apenas no plano astral protegendo as pessoas e praticando a Caridade.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

TEOLOGIA DA UMBANDA II

                      
Do ponto de vista da Umbanda, o que fala a nossa Teologia sobre o que é nossa Religião? Nós a vemos como a religação do homem a Deus. Nós O chamamos Deus, Energia, Zambi, Olorum, mas na verdade Ele é inominável. Como Ele próprio disse a Moisés: “Eu sou o que sou Ex. 3,14”.
Isto, no entanto é um ideal a ser realizado, um sonho a ser conquistado e que somente será realizado, por cada fiel de Umbanda, ao longo de seu processo de evolução.

A religião, em si, não é a responsável pela evolução dos espíritos encarnados. Tampouco é o Evangelho em si. Na verdade, nossa evolução promana da energia divina e do nosso livre arbítrio.  A Religião está em nossa vida como forma de nos orientar na busca dessa evolução, e ela está ou estará presente, nessa ou em outras vidas, em cada ser humano. Além disso, cada religião provém de uma linha espiritual, você pertencendo a uma religião poderá experimentar a espiritualidade em sua prática do dia a dia de maneira ordenada e consciente.  Essa prática, advinda do conhecimento da espiritualidade, levará à consciência social, do mundo que nos rodeia e das dificuldades vividas pelos irmãos. Se a prática da espiritualidade for consciente levará a uma atuação de cada um em benefício da comunidade, podendo, com isso melhorar a sociedade.

A partir do Cristianismo, várias religiões se formaram; houve ramificações dessa árvore que, após mais de dois mil anos, continua frutificando.
A Umbanda é uma dessas ramificações e o ideal divino, para ela, é a evolução humana. Para isso, a principal orientação para o homem é: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo” que nas palavras de Cristo são os dois primeiros e mais importantes mandamentos, não sendo o primeiro superior ao segundo. Deles podemos deduzir que na prática nossa do dia a dia devemos ter, como norte espiritual, amar e respeitar a Deus, aos nossos irmãos e praticar a caridade. Nisto se resumem todas as qualidades necessárias para a nossa evolução.

Além disso, ao Umbandista devemos lembrar que Deus nos fez harmônicos com toda a natureza e que não devemos nos fazer patrões, exploradores, ou dominadores das criações de Deus. Estamos aqui para sermos parceiros da Natureza e de toda criação de Deus.
O respeito pela Natureza significa um respeito à Fonte Primordial da Vida.

domingo, 13 de novembro de 2011

TEOLOGIA DA UMBANDA I


A palavra teologia vem da palavra grega “theologia” que significa a ciência dos deuses.  Por isso assim são chamados os estudos dedicados ao conhecimento de Deus, da sua relação com as suas criaturas e, sobretudo, à busca de uma verdade religiosa.
 
Modernamente,no ocidente, esse termo passou a ser usado, de uma maneira mais restrita, aos estudos vinculados ao entendimento dos textos sagrados do Cristianismo.

Na Umbanda, o estudo de Olorum – Deus – se dá a partir do momento em que nós a reconhecemos como uma religião. 
Deus é, para nós, não somente uma energia onipotente e onipresente, como a fonte de toda a energia existente no Universo infinito.  Ele é imanente a todos os elementos animados e inanimados existentes no Universo. Como fonte de toda energia positiva, existe em cada um de nós  em todos e em tudo. Olorum não é bom, Ele é a bondade; Ele não ama, Ele é o amor; Ele não é fiel, Ele é a fidelidade, enfim, Ele não tem uma ou várias qualidades, mas, sim, ele é a fonte de todas elas. Quando dizemos que Olorum tem uma qualidade como a dos homens, nós o estamos reduzindo a um homem, e pensar um Deus antropomórfico é tirar dele sua condição divina. Podemos ver isto nos panteões romano e grego. Neles os deuses eram homens que tinham o poder de punir os outros homens; eram deuses com os mesmos defeitos do ser humano, com direito de serem vingativos, irados, falsos, enfim, com todos os defeitos e todas as qualidades dos seus adoradores.

Jesus - o Cristo- seu primeiro filho, porém não o único, veio com a função de nos trazer o ensinamento do Amor – o Evangelho – no momento em que se tornava necessária uma modificação no rumo dos espíritos encarnados em nosso planeta. Jesus veio há mais de dois mil anos, quando civilizações inteiras já haviam prevalecido umas sobre as outras, quando o ser humano já começava a ter a capacidade de se agregar, de ter crenças diferentes e de abandonar o politeísmo que prevaleceu na antiguidade.  Quando Jesus chega, ao nosso mundo, é um dos momentos em que a humanidade deveria começar a se preparar para um novo tipo de civilização.  Cinco séculos após a chegada de Cristo cai o último grande império daquela era: o Romano.  


O Cristianismo prepara assim o caminho para uma nova era aonde os espíritos viriam em busca de sua iluminação, atingindo-a através da reencarnação.  Cerca de dois mil anos após a sua vinda a maior parte da humanidade é espiritualista.  


Temos, ainda dentro da Teologia Umbandista, aqueles que representam, no planeta Terra, o sopro eterno de Deus: os Orixás.  Eles representam a energia de toda a natureza, de todos os elementos e de todos os seres.  Cada um correspondendo a um tipo de energia existente no meio ambiente em que vive o homem; cada um é uma forma de manifestação da Energia Divina. Por isso mesmo, é uma obrigação do Umbandista o respeito à natureza assim como trabalhar para manter o equilíbrio atual e recuperar o equilíbrio inicial de nosso meio ambiente. 



terça-feira, 1 de novembro de 2011

ESTAR ATENTO


Estar atento é o ato primeiro de um religioso.  A religiosidade é a condição necessária de um ser humano, filho de Deus, portador da Centelha Divina, da Energia Crística para alcançar suas plenas luminosidade e sabedoria. Cada dia é um novo dia, com possibilidades imensas de realizações espirituais. Nosso mundo se transforma, nós nos transformamos. Mas, para que lado nós queremos que nossa transformação nos leve? O que é mais importante em nossa realização nessa encarnação? Eu me reconheço como filho de Deus? Eu reconheço aqueles que estão ao meu lado como filhos de Deus?  Estarei buscando minha evolução? Estou atento à compreensão do meu Eu? Estarei preocupado com o meu SER? Ou estou apenas buscando recompensas materiais, ou seja TER.  A religiosidade nos leva para nosso interior, para o nosso Eu, para o nosso Ser. Mas para isso devemos estar atentos às coisas e acontecimentos edificantes que ocorrem à nossa volta, impedindo que sejamos contaminados com o que de mais aterrador existe em nosso mundo hoje: a ambição material e de poder. Nós fomos levados, pelo sistema sócio-econômico vigente, a ver o mundo apenas pelo lado do dinheiro.
Se perguntarmos a nós mesmos, todos os dias, o que vimos de bonito, ou que alegria tivemos, ou qual o nosso sonho, corremos o risco de descobrir que nunca tivemos tempo para alimentar nossa alma, nosso espírito, com as belezas que Deus põe à nossa frente; com as pequenas alegrias que temos todos os dias, mas nas quais não nos fixamos. Sequer as percebemos, pois estamos muito preocupados à espera de uma grande alegria, que não sabemos qual é mas que esperamos; o que é pior, descobriremos  que estamos andando em círculos porque não temos um sonho de evolução espiritual ou se temos meta, a espiritual, é incompatível com a outra, a material; e ainda, pior que tudo isso, é que nossa desculpa será a velha e esfarrapada falta de tempo.  As coisas mais simples, que são as que nos trazem alegria e nos enchem os olhos de beleza e paz, estão ao nosso alcance a maior parte do tempo. Nosso tempo nós o fazemos. Esse tempo, que podemos e devemos fazer, é o de nossa evolução e de nosso número de encarnações. Muitas vezes estamos em uma encruzilhada de nossa vida e não sabemos qual a decisão tomar simplesmente porque não temos bem definido em nossa cabeça para onde desejamos ir; qual o norte da nossa vida material e espiritual. 
Quantas vezes, mesmo sem nos darmos conta do porquê, nos sentimos com uma grande alegria e um grande otimismo.  Se pararmos para pensar, talvez descubramos que naquele dia por um ou outro motivo tivemos uma pequena alegria ou vimos algo de muito belo; ou talvez naquele dia tenhamos dado um passo a mais na direção da concretização de nossa evolução.  Para nossa evolução devemos estar atentos aos nossos atos e oportunidades que são colocadas à nossa frente, para que sejamos coerentes com nossa religião. Devemos sim ter um sonho material, mas que seja compatível com a nossa necessidade espiritual.
Muitas vezes estamos com posturas tão egoístas e ambiciosas, às vezes até doentias, que nos impedem de ver essas coisas.  Nós mesmos eliminamos as coisas bonitas, alegres que nos acontecem, como uma flor que nasce em nossa casa, o sorriso de uma criança, uma noite de luar, um lindo amanhecer, assim como muitas outras situações de alegria e beleza que acontecem em nossas vidas.  Devemos estar atentos a todas essas situações que enriquecem nosso Espírito para que nossa caminhada nessa encarnação seja frutífera. Se não estivermos atentos a elas não ficarão gravadas em nossa mente e não tocarão nosso Espírito; além disso, significará que perdemos um bom tempo de vida, fixados apenas aos aspectos materiais; fixados apenas em nosso Ego e descuidados do nosso Eu.
Para que consigamos isso devemos lutar contra a correnteza, pois nossa sociedade está totalmente voltada para isso; no mundo moderno, quando a evolução material e tecnológica está no seu ápice somos, se o permitirmos, nós seremos engolfados na correria do dia a dia sempre buscando o que é fugaz, irreal, e passageiro. Isto não significa que não deveremos buscar uma melhoria material em nossa vida.  Deveremos sim, mas mantendo sempre a ética Cristã, o amor ao próximo, os limites morais necessários.
Na verdade nós mesmos somos os responsáveis pelas nossas tristezas e decepções por não buscarmos o que é real e eterno relegando estes últimos a um segundo plano, que, quando tivermos tempo, serão objeto de nossa preocupação. O principal objetivo de nossa vida nesse planeta e nessa encarnação é a evolução espiritual.  Evoluir, evoluir sempre; com fé, com alegria, sem medo.
Para isso devemos ter nosso sonho de evolução presente no nosso dia a dia; deveremos estar atentos às oportunidades que temos ao longo de nossos dias, de observar o belo e o alegre, para alimentar nossos Espíritos.  O sonho é o norte da nossa vida, é a bússola que nos indica o caminho que estamos percorrendo.  Ele nos mostra se estamos ou não nos aproximando daquilo que nosso Espírito almeja ser.  Para atingi-lo é importante que tenhamos determinação, força, ter certeza, ter fé no nosso poder de transformação; mandar, sempre, para o plano astral, mensagens de que nós podemos, nós conseguimos, nós venceremos. Nada nos atrapalhará; nós superaremos sempre todas as dificuldades que aparecerem, pois estamos acompanhados pelas nossas Entidades de Luz que nos apóiam e ajudam em nossa caminhada e temos dentro de nós a Energia Divina. Nós temos, como Umbandistas, a Fé e a Oração como suporte para nossas vidas. Temos a bênção de acreditar na comunicação com as Almas, de acreditarmos na vida após a morte, na reencarnação, o que dá outro sentido a essa nossa passagem por essa existência.  Podemos chegar aos pés de uma entidade, Preto Velho, Caboclo, Exu, e a outros entidades de luz que nos ajudam a superar nosso dia a dia, com dignidade, resignação e espiritualidade,  sabendo que essa nossa encarnação quando terminada, após nossa passagem, nos fará chegar ao Plano Espiritual melhorados, mais evoluídos, com maior luz própria. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

OS MANDAMENTOS DE DEUS




Na verdade, a vinda de Jesus, o Cristo, incomodava muito aos doutores da Lei, sacerdotes e fariseus. Isto se devia ao fato de Cristo vir, ao longo de suas peregrinações pelas terras de Israel, pregando ensinamentos que deixavam de lado a justiça do “olho por olho, dente por dente” (Lei de Talião) trazendo, em seu lugar, uma mensagem de puro AMOR. Além disso, ele começava a questionar os procedimentos daqueles que eram responsáveis pela conservação do respeito às Escrituras Sagradas, o Antigo Testamento. Eles, na verdade, criaram, ao longo dos tempos, como uma forma de contornar as Escrituras, que eram prejudiciais à sua busca do poder e da riqueza, regras de tradição, visando contornar os ensinamentos da Torá. Essa elite, somente  respeitava as Escrituras de fachada, sendo conhecidos pelos hábitos dissolutos e falsos. Quando Jesus é questionado pelos fariseus a respeito da tradição de lavar as mãos, antes de se sentarem à mesa, que não havia sido cumprida pelos seus apóstolos, ele lhes diz:

“Porque vocês desobedecem ao mandamento de Deus em nome da tradição de vocês? Pois Deus disse ‘Honre seu pai e sua mãe’. E ainda, ‘Quem amaldiçoa o pai ou a mãe, deve morrer’. E, no entanto, vocês ensinam que alguém pode dizer ao seu pai e à sua mãe: ‘O sustento que vocês poderiam receber de mim é consagrado a Deus’. E essa pessoa fica dispensada de honrar seu pai e sua mãe. Assim, vocês esvaziaram a palavra de Deus com a tradição de vocês”.

Assim como vemos, a Lei a que esses privilegiados seguiam não era aquela contida nos livros que compunham a Torá, mas, na verdade, referiam-se aos ensinamentos da tradição, que eram mais flexíveis e mais a seu caráter. A Torá é formada pelos livros do Gênesis, do Êxodo, do Levítico, dos Números e do Deuteronômio. Estes livros falam sobre a origem do povo de Israel, sobre a criação do mundo, da origem da humanidade, do pacto de Deus com Abraão e seus filhos, a libertação dos filhos de Israel do Egito, sua peregrinação durante quarenta anos até chegarem à terra prometida, além de outros ensinamentos. Um dos ensinamentos, ali contidos, foram os mandamentos e leis  dadas, por Deus, a Moisés para que as entregasse e as ensinasse ao povo de Israel: os Dez Mandamentos, ou Tábuas da Lei, ou Decálogo. Esses mandamentos são a Lei de Deus.  São eles, segundo o Antigo Testamento, no livro Exodus, cap.20:

    1. Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei do Egito, da casa da servidão.       Não terás em minha presença deuses estranhos. Não farás para ti imagem de escultura, nem figura alguma de tudo que há no alto do Céu, ou em baixo na terra, ou o que está debaixo da terra nas águas. Não as adorarás e nem lhes dará culto soberano, pois eu Javé, teu Deus, sou ciumento: quando me odeiam, castigo a culpa dos pais nos filhos, nos netos e nos bisnetos; mas, quando me amam e guardam meus mandamentos eu os amarei por mil gerações. (Ex. cap.20 v1 a 6)

Para entender esse mandamento devemos remontar aos anos em que foram recebidos por Moisés. O povo hebreu era constituído de tribos, que muitas vezes lutavam entre si, adoravam deuses diferentes e viviam em desarmonia.  Além disso, convém lembrar que o povo hebreu estava já há séculos sob o domínio dos gregos, ou dos egípcios ou dos romanos.  Assim, os sacerdotes hebreus, que sempre aceitavam passivamente as imposições dos povos que os escravizavam já começavam a aceitar que deuses pagãos entrassem em suas sinagogas e lá lhes prestassem culto e adoração. Com isso, ficava ameaçado o monoteísmo que era a base fundamental da religião judaica.  Essa passividade dos sacerdotes, doutores da Lei e fariseus, se devia à necessidade que tinham de continuar nas chefias e mandos que ocupavam. Por isso, procuravam não criar problemas com os que lhes escravizavam, para manter sua posição social. 
Os considerados deuses pagãos eram aqueles deuses cultuados pelos dominadores, que tinham ação vinculada à natureza. Por exemplo, Pan, pelo lado romano era o deus das festas. Mas, por que das festas?  Porque seus seguidores faziam as festas da colheita, e era a ele que agradeciam pelo bom resultado da sua agricultura, de seu rebanho. Pagão significa, na verdade, tudo que é vinculado à natureza. Os judeus consideravam pagãos   aqueles que não foram batizados de acordo com as normas que a religião hebraica impunha. 
A não confecção de estátuas, esculturas, de tudo que há no Céu, em baixo, na Terra, e debaixo da Terra e sob as águas, era uma forma de impedir que, embora aceitando o monoteísmo, os judeus começassem a fazer homenagens a deuses com formas que lembrassem os deuses pagãos. Se o fizessem, seria um passo enorme para logo em seguida passar a adorá-los e cultuá-los, soberanamente, como o Deus. Para que isso não acontecesse Deus é apresentado como um Deus ciumento e punitivo que castiga gerações pelos erros dos ancestrais.
Resta, portanto, desse mandamento, para nosso momento histórico, para nós, como principal recomendação o monoteísmo, ou seja, a crença em um só Deus e essa é a crença da Umbanda. Temos um só Deus, Olorum ou Zambi, que é aquele que não teve princípio e não terá fim; aquele que é onipotente, ou seja, que tudo pode, onisciente, ou seja, aquele que tudo conhece; que é a fonte de todas as pessoas e coisas, que está nelas e a elas transcende. É a Energia Universal que a tudo e a todos perpassa e vivifica.

    2. Não pronuncies o nome de Javé, seu deus, em vão, porque Javé não dei-xará sem castigo aquele que pronunciar o nome dele em vão. (Ex. cap.20 v. 7)

Àquela época o chamar aos deuses como testemunhas de sua sinceridade, era comum entre os pagãos e mesmo entre os judeus. Mesmo naquelas situações em que o indivíduo mentia deslavadamente.  Assim, esses testemunhos acabavam vulgarizando e tornando mentirosas as promessas aos deuses, no caso dos pagãos, e ao Deus único, no caso dos judeus. Também nós não devemos falar, por qualquer coisa, o nome de Olorum.  Tampouco devemos usar o nome das entidades de luz, que conosco trabalham, para justificar nossas ações, nossas palavras e atos. Somos filhos de Olorum, tendo em nosso interior a Centelha Divina que um dia se abrasará e nos tornará seres luminosos e sábios. 

      3. Lembre-se do dia de sábado, para santificá-lo.  Trabalhe durante seis dias e faça todas as suas tarefas. O sétimo dia, porém, é o sábado de Javé, seu Deus. (Ex. cap.20 v8 a 10)

Este mandamento tinha como finalidade lembrar aos judeus a necessidade de pelo menos uma vez por semana estar à disposição de Deus. Era uma forma de fazer com que, liberados dos trabalhos estafantes da semana, que incluíam os da lavoura, pecuária e outros que demandavam muito esforço físico, os judeus dedicassem, pelo menos uma parte do seu tempo ao ritual religioso e à meditação sobre os ensinamentos de Deus. As tribos de Israel naquele tempo, ainda primitivas, precisavam, pelo menos uma vez por semana, estarem voltadas para o aprendizado da Lei de Deus, na busca da evolução espiritual.
Sabemos que, na verdade, ser religioso não é estar uma vez na semana no templo ou em um ritual da religião, mas estar atento, todos os dias, em todos nossos atos, pensamentos e palavras, para que não descumpramos nenhum dos ensinamentos de Cristo. Este é o espírito que norteia os Evangelhos de Cristo. Não somos perfeitos, mas se estivermos atentos conseguiremos diminuir nossos erros e caminharemos passo a passo em nossa evolução.  Assim, devemos cultivar nossas boas qualidades todo o tempo possível e superar nossos erros ao longo de nossa vida.
A partir deste terceiro mandamento, veremos que os mandamentos seguintes, são, na verdade, um código de comportamento social, que tinha como finalidade preservar a família, a propriedade e as tribos.

  4. Honre seu pai e sua mãe, desse modo, você prolongará sua vida, na terra que Javé deu a você.

  5. Não mate

  6. Não cometa adultério.

  7. Não roube.

  8. Não apresente testemunho falso contra seu próximo.

  9. Não cobiçarás a mulher do seu próximo.

 10.Não cobice a casa do seu próximo, nem o escravo, nem a escrava, nem o boi, nem o jumento, nem coisa alguma que pertença a seu próximo.

Todos esses mandamentos são um código de ética para a vida em comunidade e que todos devemos respeitar, independente da religião professada.