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sábado, 29 de junho de 2013

O DIA EM QUE JESUS APRENDEU (E ENSINOU-NOS) A ACABAR COM A DISCRIMINAÇÃO E O PRECONCEITO.

Uma introdução se faz necessária para que compreendamos a importância da passagem bíblica que exporemos.
As terras de Canaã  situavam-se onde hoje se encontra o estado de Israel, era, se comparada aos desertos entre os quais se encontrava encravada, uma verdadeira terra prometida, tendo em vista a fartura de frutas, azeitonas, mel, etc. Os povos que ali viviam eram politeístas e um de seus deuses era Baal, possivelmente um deus relacionado à fecundidade, combatido pelos hebreus, conforme citado no Velho Testamento.
Jesus chegou à região das cidades de Tiro e Sidônia.
Dirigindo-se então a Jesus, uma cananéia, aos gritos, diz a Ele: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim. Minha filha está sendo cruelmente atormentada por um demônio”.  Mas Jesus não lhe dá resposta alguma.   Os discípulos se dirigem ao Mestre e lhe pedem:  “Manda embora essa mulher, porque ela vem gritando atrás de nós”.  Jesus respondeu:  “Eu fui mandado somente para as ovelhas perdidas do povo de Israel”.  Mas a mulher, aproximando-se, ajoelhou-se diante de Jesus e começou a implorar: “Senhor, ajuda-me”.  Jesus lhe disse: “Não está certo tirar o pão da boca dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”.  A mulher disse a Jesus: “sim, senhor, é verdade, mas também os cachorrinhos comem as migalhas da mesa de seus donos”.  Diante disso, Jesus lhe disse: “mulher, é grande sua fé! Seja feito como você quer”. E desde esse momento a filha dela ficou curada. (Mat. 15 – 22 a 28)
Como vemos, uma mulher, considerada pagã, adoradora de deuses combatidos pelos hebreus, atira-se aos pés de Jesus e lhe implora a cura de sua filha. Da parte dessa mulher  vemos a humildade exposta por suas palavras, ao chamar Jesus de Senhor, filho de Davi, e ao se prostrar aos seus pés. Podemos imaginar, naquela época, quando as superstições campeavam livres no imaginário popular, uma mulher, desprender-se de suas crenças, das imposições sociais e suplicar com tanta insistência ao representante de outra raça e de outro credo.  Como entender que ela não só se aceitasse ser comparada por Jesus a cachorros, como ainda responder-lhe comparando-se a cachorrinho?  Somente a fé e o amor de uma mãe levaria essa mulher a isso.
Por outro lado, vemos Jesus esquivando-se de ajudá-la sob o argumento de que viera somente para as ovelhas perdidas do povo de Israel. Naquela época, o preconceito contra pagãos, samaritanos e mesmo Nazarenos era muito forte entre as tribos de Israel. Tanto que Jesus querendo dar ênfase à caridade e ao conceito de próximo, na parábola do bom samaritano, utiliza-o para mostrar que, apesar do preconceito que tinham com o samaritano, ele podia ser superior em algumas atitudes, até com relação às classes consideradas altas, do povo hebreu, como os fariseus e os levitas, que possuíam altas funções religiosas e políticas reservadas somente a eles. No tocante a Nazaré, sabemos que para os judeus, "nada de bom poderia provir de Nazaré".
Seus apóstolos, vendo a mulher gritar, e não sendo ela uma judia, pedem que ele a mande embora, pois seus gritos os incomodavam.
Jesus, no entanto, ao ver a fé e a humidade da mulher, superando os preconceitos sociais, religiosos e étnicos, cura a sua filha.
Podemos dizer que, nesse momento, Jesus aprendeu a ver a todos como iguais. Ali, Jesus universalizou seus ensinamentos e ampliou sua missão para o atendimento a todos os homens e mulheres, independente de suas origens.  Deixou de ser um exemplo para os judeus e passou a sê-lo para o mundo.
Essa passagem da Bíblia, através  das atitudes narradas, traz para nós o exemplo da humildade, da aceitação dos diferentes e da cooperação possível entre eles. No mundo atual, onde o preconceito, a vaidade e o orgulho ainda se encontram presentes em nossa sociedade, devemos nos mirar nessa passagem do evangelho para avaliarmos nossas atitudes e comportamentos frente aos nossos irmãos. Podemos, qualquer um de nós, condenar alguém porque professa outra religião, ou por ser de outra raça, outra cor, ou por ser de outra classe social, ou, ainda, de outra orientação sexual?  Jesus mostra sua tolerância em vários momentos de seus ensinamentos, como, por exemplo no caso da mulher pega em adultério, quando ele diz que aquele que nunca errou que atirasse a primeira pedra e, após a retirada dos acusadores, ele a mandou ir-se e que não errasse novamente.
A tolerância é a contrapartida do preconceito. Se somos tolerantes, aceitaremos nossos irmão como são, sem julgamento.
Assim, o verdadeiro cristão não julga, e, portanto, nem condena, nem perdoa, seus irmãos. Na verdade, ele simplesmente compreende seus irmãos, sem guardar qualquer tipo de sentimento negativo com relação a eles, pois compreende o evangelho cristão e o coloca em prática no seu dia a dia.


quarta-feira, 18 de julho de 2012

BEM AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO - Escândalos



Jesus disse: “Quem escandalizar a um desses pequeninos que acreditam em mim, melhor seria para ele pendurar uma pedra de moinho, no pescoço, e ser jogado no fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! É inevitável que aconteçam os escândalos, mas ai do homem que causa o escândalo. Se a sua mão ou o seu pé é ocasião de escândalo para você, corte-o e jogue-o para bem longe de você. È melhor para você entrar para a vida sem uma das mãos mão ou sem um dos pés, do que ter as duas mãos ou os dois pés e ser lançado no fogo eterno. Se o olho é ocasião de escândalo para você arranque-o e jogue-o para longe de você. Melhor será entrar para a vida com um olho só, do que ter os dois olhos, e ser jogado no inferno do fogo. Cuidado para não desprezar nenhum desses pequeninos, pois eu digo a vocês: os Anjos deles no céu estão sempre na presença do meu Pai que está no céu. O Filho do Homem veio para salvar o que estava perdido”. (Mateus, 18:6 a 11)(ESE 8: 11)
Quando vemos essa passagem do Evangelho, assumimos de imediato, que escândalo é aquilo que gera vergonha social, burburinho e mancha a reputação de quem nele se vê envolvido. Esse conceito é um conceito humano, social. Se vemos um escândalo, com autoridades, como muitos que acontecem em nosso país, a primeira coisa que vem à nossa mente é a vergonha pela qual estará passando o envolvido e sua família.
Na visão que nos é dada por Jesus, no entanto, o sentido de escândalo é bem mais amplo. Escândalo no Evangelho é o resultado de nossas ações, marcadas por nossa fraqueza espiritual, por nossos defeitos morais, por nossas posturas prejudiciais ao nosso espírito, como, por exemplo, a inveja, a intolerância, o preconceito, o egoísmo, a vaidade, a prepotência e o sentimento de superioridade sobre nossos irmãos.
Outro conceito que devemos esclarecer é o de fogo do inferno. Em algumas versões aparece também fogo eterno. Esse é um simbolismo, como tantos usados por Jesus, para o sofrimento que o espírito passa ao retornar ao mundo espiritual e constatar que não conseguiu cumprir parte importante de seu aprendizado na encarnação que se encerrou e que, por isso mesmo, terá que passar por novo aprendizado em uma nova encarnação.
Quando Jesus se refere a cortar as mãos, os pés ou arrancar os olhos, não está sugerindo que a pessoa se mutile, mas está nos mostrando que a maior parte dos escândalos vem pelo meio material, seja pelo nosso físico ou pelos desejos materiais que temos. A via dos escândalos se dá normalmente pelas falsas necessidades materiais que temos e pelos desejos sexuais exacerbados.
Por que Jesus diz que é necessário que venham os escândalos? Na verdade, o escândalo, no sentido cristão, apenas mostra aquilo que existe e está escondido. Como dissemos, no início, são os erros, as falhas de caráter, a falta de ética, de tolerância, as falsidades, enfim, tudo aquilo que de pior tem o homem e que é necessário ser superado para que se dê sua evolução espiritual. E, muitas vezes, é somente quando o ser humano vê aflorar esses defeitos que toma consciência deles, de sua gravidade e da necessidade de superá-los. O escândalo se dá, algumas vezes, sem que tudo se torne público, pois o espírito pelo qual vem o escândalo, pode, ele mesmo, se sentir escandalizado por alguma ação sua e promover sua reforma.
Por que Jesus diz "ai daquele por quem vem o escândalo"? Por dois motivos, o primeiro é que o caminho de retificação de nosso espírito é sempre árduo e sofrido. Não nos reformulamos intimamente com facilidade. Se o ser humano sempre resiste às necessidades de mudança no mundo exterior, imaginem no tocante ao seu interior. O segundo motivo de Jesus, ao dizer essas palavras, é que o homem pelo qual vem o escândalo, não pode mais ignorar ou dizer ignorar o motivo de escândalo e, assim, terá que, compulsoriamente, modificar-se, ou se não o  fizer, afastar-se, ainda mais, da energia divina, mergulhando em vibrações inferiores, que configuram também o seu inferno, seja enquanto encarnado, seja depois de desencarnado.

domingo, 1 de julho de 2012

PERDOAI OS VOSSOS INIMIGOS


No Evangelho de Mateus, quando Jesus ensina como rezar, dando aos seus discípulos a oração que deveriam rezar, o Pai Nosso, Ele lhes diz:
“De fato, se vocês perdoarem aos homens os males que eles fizeram o Pai de vocês que está no céu também perdoará a vocês. Mas, se vocês não perdoarem aos homens, o Pai de vocês não perdoará os males que vocês tiverem feito” (Mateus, 6:14 e 15).
Em outros momentos, Jesus também fala sobre o perdão e a tolerância com nossos irmãos. Por exemplo:
“Se o seu irmão pecar, vá e mostre o erro dele, mas em particular, só entre vocês dois. Se ele der ouvido, você terá ganho o seu irmão” (Mateus, 18:15).
Pedro se aproxima de Jesus e lhe pergunta: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes? Não lhe digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mateus 18:21 e 22).
Seguindo a essa afirmação, Jesus compara o Reino do Céu com um rei que depois de perdoar a dívida de um de seus empregados, fica sabendo que ao sair dali, esse mesmo empregado, mandara um homem que lhe devia para a prisão. Mandando buscá-lo, repreendeu seu comportamento e o castigou também com a prisão por sua dívida.
Também, após o sermão da montanha, Jesus ensina que devemos amar como o Pai ama. Refere-se em primeiro lugar à famosa lei, do Antigo Testamento, sobre amar aos amigos e odiar aos inimigos. Expressou-se da forma a seguir.
“Vocês ouviram que foi dito – ame o seu próximo e odeie o seu inimigo. Eu, porem lhes digo: amem os seus inimigos e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre os maus e os bons e a chuva cair sobre os justos e os injustos” (Mateus 5:43 a 45).
Ainda em Mateus, lemos:
“Vocês ouviram – olho por olho, dente por dente. Eu, porém lhes digo, não se vinguem de quem fez o mal a vocês. Pelo contrário: se alguém lhe dá um tapa na face direita, ofereça também a esquerda. Se alguém faz um processo para de você tomar a túnica, deixa também o manto. Se alguém obriga você a andar um quilômetro, caminhe dois quilômetros com ele” Mateus 5:38 a 41).

Na nossa sociedade o perdão é visto, na maioria das vezes, como fraqueza por parte daquele que perdoa. É visto também como falta de auto-estima, pois não se sentiu ofendido.

Devemos, antes de qualquer coisa, para entender as passagens do Evangelho, saber o que é o perdão preconizado por Cristo.

O perdão, por ele pregado, não é ser omisso perante aquilo que tem de ser mudado; não é apoiar comportamentos que nos prejudicam e nos machucam ou prejudicam e machucam à sociedade como um todo.
Isso, quando o fazemos, é apatia, é indiferença, é egoísmo.

O perdão preconizado por Cristo é compreensão para com os defeitos de nossos irmãos, é tolerância, é uma postura que se inicia no nosso íntimo, se prolonga nos nossos atos e retorna ao nosso íntimo, para que o véu do verdadeiro esquecimento caia sobre o acontecido e este nunca mais volte à luz.

Visto isso, o que quer dizer Jesus quando nos pede que amemos aos nossos inimigos? Na verdade, Jesus propõe, aqui, uma contradição. Se eu amo alguém, eu não o considero como inimigo. É exatamente isso que ele quer nos dizer: não devemos ter inimigos, considerar alguém como inimigo, porque senão tudo que falarmos ou fizermos será falso. Como amar alguém contra o qual temos algo em nossa mente e em nosso coração? O próprio Jesus nos legou o ensinamento de que:
“Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta” (Mateus 5.23-24).

A oferta, que aqui se refere Jesus, são nossas preces e nosso amor ao próximo. Portanto, antes de dizer que amamos nossos inimigos, antes de rezar por eles, amemos a nós mesmos, rezando por nós, para que tenhamos a evolução espiritual que nos permita, realmente, amar a todos nossos irmãos, sem a falsidade daquele que diz: perdoar eu perdôo,mas não esquecerei, jamais.


Esta é uma declaração de perdão que, como diz uma comunicação do espírito de Paulo, inscrita no Evangelho segundo o Espiritismo (ESE 10:15), “um perdão dos lábios” e “não um perdão do coração”. Essa comunicação inicia dizendo: “perdoar os inimigos é pedir perdão para si mesmo”. 


Se amarmos nossos irmãos como a nós mesmos, saberemos perdoar àqueles que de alguma forma nos atingem ou atingiram. Não importa como eles nos consideram, importa como nós os consideramos. Se para eles somos seus inimigos, terão, por isso mesmo, que aprender, nessa ou em outras encarnações, a tirar a raiva, a mágoa, a inveja, a intolerância e outros sentimentos desse quilate de seu coração. Como nos ensinou Jesus, não deixaremos a rotina de nascer, morrer e reencarnar, enquanto não tivermos pagado o último ceitil, purificado nosso espírito e enquanto não tivermos nosso espírito plenamente luminoso.





Todas as citações aqui feitas foram tiradas da Bíblia Católica – Edição Pastoral – Ed. Paulus – 15ª Ed. e do Evangelho segundo o Espiritismo, de Alan Kardec, 2ª Ed -  2010 -  Ed. Besourobox

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A RESPEITO DA TRINDADE NAS RELIGIÕES TRINITÁRIAS


Tornaram-se, a compreensão e a explicação da Santíssima Trindade pela Igreja Católica, problemas insolúveis, a ponto de Santo Agostinho, um dos maiores teólogos daquela Igreja, afirmar que somente alcançaremos a compreensão da Santíssima Trindade, quando após nossa morte encontrarmos, no céu, com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Devemos lembrar que ele chegou a essa conclusão após escrever uma obra de cerca de setecentas páginas.

Por outro lado, São Tomás de Aquino, que não admitiu ser incompreensível a Trindade como formulada disse:
“A fé católica consiste em venerar um só Deus na trindade, e a trindade na unidade, sem confundir as pessoas, nem separar a substância; pois uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas uma é a divindade, igual a glória, coeterna a majestade do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Qual o Pai, tal o Filho, tal o Espírito Santo; incriado é o Pai, incriado o Filho, incriado o Espírito Santo; eterno é o Pai, eterno o Filho, eterno o Espírito Santo; e, no entanto, não há três eternos, mas um só eterno; como não há três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso; assim também o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente; e, no entanto, não há três onipotentes, mas um só onipotente.
Como o Pai é Deus, assim o Filho é Deus, e o Espírito Santo é Deus, e, no entanto, não há três deuses, mas um só Deus.”

Como vemos, aqui, não há nessa explicação de São Tomás um esclarecimento, mas, simplesmente, a repetição daquilo que ele propõe explicar como se a sua repetição fosse suficiente para que, talvez por cansaço, pudéssemos compreender. Sua explicação não passa de uma definição daquilo que deve ser definido por ele próprio. Ou seja ele recai, em sua tentativa de explicação, naquilo que se chama uma tautologia. 

Na verdade, a Igreja Católica retirou das religiões antigas do oriente, várias de suas colunas estruturadoras; a Trindade é uma delas, pois já existia, por exemplo, no Antigo Egito e na Índia. No Egito, os formadores dessa trindade , mas também era una, eram  Osiris, Isis e Horus. Na Índia, as componentes da trindade eram:  Durga, aquela que gerava, Lakshmi, a responsável pela preservação e, finalmente, Kali a que destruía. Ou seja, cobria-se o ciclo da vida, nascer, viver e morrer. Também nas civilizações grega, babilônica e na romana existiram sempre três deuses que seriam, na verdade, um. Ou seja, a Trindade, não foi uma invenção da Igreja Católica. 


Mas, pelo fato de existir nas antigas civilizações isso a tornaria, a Trindade, fantasiosa, mentirosa ou demoníaca, como querem alguns cristãos unicistas, em especial evangélicos? Ou podemos dizer que foi a interpretação dada, forçadamente, para justificar passagens bíblicas e necessidades da Igreja Católica, que foi concebida de maneira errada?

Ao tentar mostrar que o Pai, incriado e eterno, é uno com o Filho, encarnado em um homem, histórico, nascido, criado e morto na terra e, ainda, com o Espírito Santo, entidade incorpórea e sem uma definição clara do que é, a Igreja viu-se enredada com a impossibilidade de dar estas explicações. 

Em Santo Agostinho temos diversas passagens onde ele se aproxima da solução desse problema. Numa delas ele fala a respeito da transformação da substância do Filho na substância do Pai, mas ressalva que isso pode ser aceito somente se considerarmos que isso se dá depois da ascensão, já que antes Cristo diz que “o Pai é maior que Eu”, o que retira dele a condição de ser Deus.

Aqui, portanto ele faz uma diferença crucial entre o Jesus e o Cristo (enquanto Energia Crística ou Divina). Ora, após a morte, que é quando se dá a ascensão de Cristo, o que se desprende é o Espírito. Portanto, o que ascende e se funde a essa Energia Divina, após a morte de Jesus, é seu Espírito plenamente evoluído, iluminado, mais do que isso, luminoso.

Ora, a Igreja jamais aceitaria essa interpretação, pois ela levaria a diversas outras que desembocariam, inevitavelmente, na questão da vida após a morte.

Giordano Bruno, julgado e condenado, pela Inquisição, por suas idéias, vislumbrou essa solução quando definiu que Deus está em todas as coisas que são sua criação




segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Teologia da Umbanda III

Os Orixás na Umbanda não são vistos como nas diferentes nações da África.  Lá em sua origem eram vistos como o espírito de um ancestral que muito havia feito pelo seu povo.  Sua força se localizava em ações tais como na área da guerra, da agricultura, da justiça, da manutenção da união tribal, da medicina, ou outras que beneficiavam aquela nação ou aldeia.

Na Umbanda o Orixá é visto como uma forma da energia divina se manifestar na terra, através dos diversos elementos e em toda criação de Deus: água, terra, ar, fogo, pedra, animais, matas, folhas, raios, etc.. Eles são manifestações das energias cósmicas através dos elementos de natureza. 

Para entender o que é o Orixá é necessário que nos abstraiamos da tradição das outras religiões, que somente conseguem entender Deus a partir do homem. Assim, para as religiões que têm essa visão antropomórfica de Deus, ele é o “homem” perfeito, o bondoso, o que ama, o que pune, o que ajuda, etc..

Apesar de toda essa concepção, contraditoriamente, dizem que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus.  Se definimos Deus, a partir da sua criação, na verdade não O estamos definindo. A sua criação tem a sua energia, mas não é Ele. Portanto, explicar, mostrar, definir, enfim, ensinar o que é Deus é impossível. Deus é indizível, inominável, indefinível. Quando Moisés lhe pergunta, “de quem digo que recebi essa orientação?, Ele lhe responde: diga apenas que Eu Sou”.
Orixá como já dissemos, anteriormente, não é divindade, pois na Umbanda cremos num único Deus. Mas o Orixá é a manifestação da energia de Deus no Universo.
Em nosso planeta, entendemos a manifestação do Orixá, através das forças da natureza, pois é aquilo que conhecemos. No entanto, Deus não se limita a este planeta, mas abarca todo o Universo.
Mas, agora, como os Orixás se manifestam ou nos beneficiam na Umbanda?
Na Umbanda, temos sua representação através de Sete Raios, que representam sua linha vibracional, estando no mesmo raio aqueles Orixás cujas vibrações sejam harmônicas. A manifestação do Orixá na Umbanda se dá através da alma de um devoto daquele Orixá.  Assim o médium não recebe o Orixá, mas sim um seu devoto que já se encontra no plano espiritual (caso recebesse o Orixá seria inviável resistir à imensa energia que eles representam).  Esse devoto é uma alma, como o é o Preto Velho e como o são os Caboclos e todas as outras entidades que chegam na Umbanda (que é fundamentalmente uma religião de almas). A diferença entre a manifestação das almas e do devoto é que a finalidade desse último é reverenciar, homenagear o Orixá, pois não fala, não dá passes, apenas manifesta sua energia. Essa energia pode também se manifestar em um filho, através de um devoto, em uma necessidade de saúde, de harmonização, de fortalecimento e em qualquer outra onde a presença do Orixá beneficie o seu filho.
 Os Doze Orixás, distribuídos nos sete raios,  cultuados em nossa Umbanda são: Oxalá, Omolu, Oxossi e Ossãe, Xangô e Iansã, Oxum e Oxumaré, Ogum e Ibeji, Iemanjá e Nana.
Vinculados a esses Orixás temos as diversas linhas de trabalhadores da Umbanda, que são almas que se manifestam através dos diferentes tipos de mediunidade ou apenas no plano astral protegendo as pessoas e praticando a Caridade.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

TEOLOGIA DA UMBANDA II

                      
Do ponto de vista da Umbanda, o que fala a nossa Teologia sobre o que é nossa Religião? Nós a vemos como a religação do homem a Deus. Nós O chamamos Deus, Energia, Zambi, Olorum, mas na verdade Ele é inominável. Como Ele próprio disse a Moisés: “Eu sou o que sou Ex. 3,14”.
Isto, no entanto é um ideal a ser realizado, um sonho a ser conquistado e que somente será realizado, por cada fiel de Umbanda, ao longo de seu processo de evolução.

A religião, em si, não é a responsável pela evolução dos espíritos encarnados. Tampouco é o Evangelho em si. Na verdade, nossa evolução promana da energia divina e do nosso livre arbítrio.  A Religião está em nossa vida como forma de nos orientar na busca dessa evolução, e ela está ou estará presente, nessa ou em outras vidas, em cada ser humano. Além disso, cada religião provém de uma linha espiritual, você pertencendo a uma religião poderá experimentar a espiritualidade em sua prática do dia a dia de maneira ordenada e consciente.  Essa prática, advinda do conhecimento da espiritualidade, levará à consciência social, do mundo que nos rodeia e das dificuldades vividas pelos irmãos. Se a prática da espiritualidade for consciente levará a uma atuação de cada um em benefício da comunidade, podendo, com isso melhorar a sociedade.

A partir do Cristianismo, várias religiões se formaram; houve ramificações dessa árvore que, após mais de dois mil anos, continua frutificando.
A Umbanda é uma dessas ramificações e o ideal divino, para ela, é a evolução humana. Para isso, a principal orientação para o homem é: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo” que nas palavras de Cristo são os dois primeiros e mais importantes mandamentos, não sendo o primeiro superior ao segundo. Deles podemos deduzir que na prática nossa do dia a dia devemos ter, como norte espiritual, amar e respeitar a Deus, aos nossos irmãos e praticar a caridade. Nisto se resumem todas as qualidades necessárias para a nossa evolução.

Além disso, ao Umbandista devemos lembrar que Deus nos fez harmônicos com toda a natureza e que não devemos nos fazer patrões, exploradores, ou dominadores das criações de Deus. Estamos aqui para sermos parceiros da Natureza e de toda criação de Deus.
O respeito pela Natureza significa um respeito à Fonte Primordial da Vida.

domingo, 13 de novembro de 2011

TEOLOGIA DA UMBANDA I


A palavra teologia vem da palavra grega “theologia” que significa a ciência dos deuses.  Por isso assim são chamados os estudos dedicados ao conhecimento de Deus, da sua relação com as suas criaturas e, sobretudo, à busca de uma verdade religiosa.
 
Modernamente,no ocidente, esse termo passou a ser usado, de uma maneira mais restrita, aos estudos vinculados ao entendimento dos textos sagrados do Cristianismo.

Na Umbanda, o estudo de Olorum – Deus – se dá a partir do momento em que nós a reconhecemos como uma religião. 
Deus é, para nós, não somente uma energia onipotente e onipresente, como a fonte de toda a energia existente no Universo infinito.  Ele é imanente a todos os elementos animados e inanimados existentes no Universo. Como fonte de toda energia positiva, existe em cada um de nós  em todos e em tudo. Olorum não é bom, Ele é a bondade; Ele não ama, Ele é o amor; Ele não é fiel, Ele é a fidelidade, enfim, Ele não tem uma ou várias qualidades, mas, sim, ele é a fonte de todas elas. Quando dizemos que Olorum tem uma qualidade como a dos homens, nós o estamos reduzindo a um homem, e pensar um Deus antropomórfico é tirar dele sua condição divina. Podemos ver isto nos panteões romano e grego. Neles os deuses eram homens que tinham o poder de punir os outros homens; eram deuses com os mesmos defeitos do ser humano, com direito de serem vingativos, irados, falsos, enfim, com todos os defeitos e todas as qualidades dos seus adoradores.

Jesus - o Cristo- seu primeiro filho, porém não o único, veio com a função de nos trazer o ensinamento do Amor – o Evangelho – no momento em que se tornava necessária uma modificação no rumo dos espíritos encarnados em nosso planeta. Jesus veio há mais de dois mil anos, quando civilizações inteiras já haviam prevalecido umas sobre as outras, quando o ser humano já começava a ter a capacidade de se agregar, de ter crenças diferentes e de abandonar o politeísmo que prevaleceu na antiguidade.  Quando Jesus chega, ao nosso mundo, é um dos momentos em que a humanidade deveria começar a se preparar para um novo tipo de civilização.  Cinco séculos após a chegada de Cristo cai o último grande império daquela era: o Romano.  


O Cristianismo prepara assim o caminho para uma nova era aonde os espíritos viriam em busca de sua iluminação, atingindo-a através da reencarnação.  Cerca de dois mil anos após a sua vinda a maior parte da humanidade é espiritualista.  


Temos, ainda dentro da Teologia Umbandista, aqueles que representam, no planeta Terra, o sopro eterno de Deus: os Orixás.  Eles representam a energia de toda a natureza, de todos os elementos e de todos os seres.  Cada um correspondendo a um tipo de energia existente no meio ambiente em que vive o homem; cada um é uma forma de manifestação da Energia Divina. Por isso mesmo, é uma obrigação do Umbandista o respeito à natureza assim como trabalhar para manter o equilíbrio atual e recuperar o equilíbrio inicial de nosso meio ambiente.