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domingo, 19 de maio de 2019

A REENCARNAÇÃO DO PONTO DE VISTA DA UMBANDA Terceira Parte


ALGUMAS QUESTÕES SOBRE A REENCARNAÇÃO DO PONTO DE VISTA DA UMBANDA.


Sobre a evolução dos Espíritos

1.      O Espírito, desde o seu início, possui todos os seus dons e talentos?  

O Espírito vem se aprimorando aos poucos durante suas diversas vidas, tanto no plano físico quanto no espiritual. Em suas primeiras vidas passa por um aprendizado primário, como o passam as crianças em sua tenra idade, quando vão para um maternal, para uma pré-escola e, a seguir, para o primeiro grau. Após esse período passa pelos segundo e terceiro graus, aprimorando assim seus talentos e suas faculdades. De que serviriam as encarnações se os Espíritos viessem já prontos, evoluídos? De que valeriam as vidas no plano espiritual, onde também há um processo de aprendizado? Conforme dissemos, na questão 13, ele poderá ou não os usar em suas encarnações, dependendo do seu planejamento de vida.


2.      Qual o estado da Alma na sua primeira encarnação?

Da mesma forma, passa também por esse processo de aprendizados básicos, já que está em um nível de evolução muito baixo, comparado aos Espíritos que já passaram por esse planeta, ou plano, diversas vezes.

3.      As Almas dos povos indígenas ou dos negros escravizados estão em sua infância?

Neste ponto nos permitimos discordar do Espírito que responde a uma pergunta como essa no Livro dos Espíritos. Ele afirma que os povos selvagens estão em sua infância espiritual. Cabe aqui perguntar, o que é a evolução para este Espírito. Será que a Europa do século XVII, com todos os seus crimes, ou mesmo a nossa sociedade hoje, com toda sua violência pode ser considerada evoluída? Podemos medir a evolução espiritual pelos conceitos de desenvolvimento material da civilização ocidental? Quem é mais evoluído, o homem branco que destrói a natureza ou o “selvagem” que a preserva? Sabemos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse que tinha tido a bênção de ter uma encarnação como indígena brasileiro, depois de ter sido um jesuíta, Gabriel Malagrida. Sabemos que um Espírito não pode regredir, como então seu Espírito foi parar no corpo de um indígena?

Como dissemos acima, e explicando melhor, na Umbanda temos um testemunho que nos mostra que nem sempre a Alma de um selvagem é uma Alma com pouco desenvolvimento: o do Espírito de Gabriel Malagrida que, quando incorporado, em Zélio, na sua primeira manifestação e, ao ser questionado pela médium, por que razão ele se apresentava como um indígena, visto que ela via nele restos de uma veste sacerdotal, ele responde que fora sim um jesuíta em uma encarnação, mas que depois viera “pela graça de Deus” como um indígena em nossas terras.  Na verdade, ele tinha uma missão que era a de abrir o caminho às manifestações de Espíritos que, na Terra, quando aqui estiveram tinham sido marginalizados pela sociedade. Assim, depois de vir como um pregador e um doutrinador para trabalhar na conversão dos indígenas, foi dada a ele a oportunidade de viver o outro lado da moeda: a do marginalizado, a do escravizado, a do perseguido, podendo, com isso, conhecer o outro lado de seu trabalho inicial, a do “selvagem” a ser convertido. Com essas experiências, pode manifestar-se, naquela reunião, com total conhecimento daquela marginalização e impor-se, como Espírito de luz, embora os dirigentes da reunião o considerassem, assim como aos outros Espíritos, que junto com ele se manifestaram, um Espírito atrasado e sem permissão de ali chegar.

4.      Pode alguém, por um proceder impecável, na vida atual, transpor todos os degraus da escala do aperfeiçoamento e tornar-se um espírito puro, sem passar por outros graus intermediários?

A evolução se dá de forma demorada. Quando um ser humano evolui ele passa por diversos níveis de desenvolvimento, não podendo – digamos assim – saltar nenhum passo ou etapa. Dependendo de sua programação e do cumprimento dela por parte da Alma, encarnada, dependendo de seu empenho no seu aperfeiçoamento, um Espírito pode acelerar a sua passagem pelos diversos níveis, mas nunca os saltar.

5.     O homem pode, pelo menos, preparar-se, nesta encarnação, para uma próxima encarnação com menores dificuldades e amarguras?

Já tendo evoluído nesta encarnação, tendo cumprido, pelo menos uma boa parte de sua programação para esta vida, poderá não ter de incluir muitas dificuldades em sua vida futura.

6.      Um homem pode, nas suas novas encarnações, descer mais baixo do que esteja, atualmente?  

Um Espírito que cumpriu algumas das etapas de sua evolução não tem por que voltar a níveis inferiores onde ele nada aprenderia. Na Umbanda, que praticamos em nossa Casa Branca de Oxalá, acreditamos que, no tocante às suas necessidades de aprendizado, o Espírito faz, como já dissemos a sua programação de vida ainda no plano espiritual, enquanto desencarnado. Caso seja necessário que ele venha em uma posição social que signifique para ele um nível de vida mais humilde ele fará essa programação, mas nunca em nível de evolução espiritual inferior.

7.      É possível que um Espírito de um homem de bem, venha em uma encarnação seguinte um bandido?

Impossível, se esse homem de bem se refere a uma Alma que aprendeu em suas encarnações valores éticos e morais cristãos e os praticou, ele sempre voltará como um humano melhor e com mais disposição para aprender, se aprimorar e evoluir. Não pode, portanto, piorar seu caráter de uma vida encarnada para a outra.

8.      A alma de um homem de baixo nível de evolução, mau mesmo, pode voltar como um homem de bem?

Não sem outras encarnações na terra. Pode voltar mais evoluído se no espaço trabalhou para isso e buscou libertar-se de, pelo menos, alguns erros e traços de caráter que o levaram, na existência anterior, ter um comportamento mau e de pouca evolução. No entanto, no espaço não se pode aprender tudo para nos liberar de nossos defeitos; é necessária sempre a reencarnação para que a evolução do Espírito se dê. Assim, dificilmente um Espírito que teve um nível de evolução baixíssimo, voltará como um homem de bem na encarnação seguinte. Poderá vir melhorado, mas ainda muito longe de ser um homem de bem.

No plano espiritual, como já vimos nas obras de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier, existem possibilidades de trabalho e aprendizado que permitem também o aperfeiçoamento do Espírito no espaço, mas sem a escola encarnada não se consegue mudar de uma encarnação para outra desta forma.

9.      A possibilidade de melhorarem em outras encarnações, pode levar alguns Espíritos continuarem com seus atos maus, pensando em corrigir-se em uma próxima encarnação?

Na verdade, não acreditamos nisso.  Se uma pessoa já acredita firmemente na reencarnação ele já tem um nível de evolução que lhe permitirá buscar sua evolução na encarnação onde se encontra. O Espírito que pensa desta maneira na verdade não crê nos ensinamentos de Jesus e muito menos na reencarnação; não acredita no inferno dos católicos e nem em qualquer coisa que possa significar vida após a morte.  Assim, na Umbanda, acreditamos que uma pessoa, que saiba da existência e acredite em reencarnação, não teria, provavelmente, esse raciocínio, pois ele buscaria aperfeiçoar-se para que sua reencarnação futura seja melhor que a atual. Uma pessoa que permanece no erro e na maldade, com certeza, não crê em reencarnação e, possivelmente, nem em Deus.

10.  Não podendo o homem evoluir a não ser por meio do aprendizado na existência corpórea, a vida material faria o papel de purificadora do Espírito?

Conforme já dissemos, a vida encarnada para nós, os umbandistas, é uma escola onde vamos aprender valores e comportamentos que promovem sua evolução. Desta forma, não usaríamos a palavra purificadora, pois dá a ideia de que o Espírito se encontra sujo, com pecados. Na verdade, o Espírito em evolução, em suas primeiras encarnações, podemos dizer que ele tem uma ignorância dos verdadeiros valores do bem, dos valores cristãos. Assim, ele vem aprender esses valores e a colocá-los em prática. Também acreditamos naquilo que diz André Luiz, que também no espaço o Espírito tem possibilidade de trabalhos que farão com que evolua; aquelas Almas que ficam, no entanto, presas às emoções e aos desejos terrenos, presas à matéria, sem aceitar a transição, estas, enquanto não se livrarem dessas prisões, não conseguirão evoluir no espaço.

11. É o corpo que influi no Espírito para que ele melhore ou, ao contrário, é a Alma que influi sobre o corpo?

Ora se imortal é o Espírito, a Alma, como poderia o corpo que é passageiro influir naquilo que é eterno? O plano físico é passageiro, em algum momento, mesmo que distante, vamos deixá-lo, o Espírito, a Alma é o que, verdadeiramente, existe. Assim, na medida em que o Espírito evolui ele atua para que, quando encarnado na matéria, possa continuar seu processo de evolução.



2 comentários:

  1. Pai Solano e Mãe Maria, a sua bênção. Gostaria de fazer uma pergunta referente à esse texto publicado.
    Como sabemos, as entidades do terreiro são muito mais evoluídas que nós e moram em outros mundos. Mas quando elas vêm trabalhar aqui conosco, que somos seres em prova e precisando evoluir, elas não sofrem alguma mudança em seu "plano fisico"? Porque penso que para virem à um planeta de expiação, deve ter que ter alguma mudança ja que nossa energia é mais densa.

    Muito obrigada.
    Da sua filha Anna Clara

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    1. Cara filha, a primeira coisa que quero lhe dizer é que não sabemos onde elas estão. Pode ser em um outro mundo ou em um outro plano, aqui mesmo em nosso planeta. Quanto à sua pergunta, sob mudança física, devemos lembrar que a incorporação se dá através de um contato energético entre as entidades e o médium. Assim como a mediunidade da psicofonia - o médium que fala as mensagens dos espíritos - a psicografia, a intuição, a vidência, a psicopictografia - mediunidade de médiuns que pintam - a incorporação também é uma forma de aproximação energética dos Espíritos ou Almas. A incorporação é feita através do contato energético com os chacras do médium. A postura que o médium incorporado toma é uma forma da entidade se identificar e de mostrar ao médium a sua incorporação.

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