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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O REINO DE DEUS


Isaías disse que viria a voz daquele que anunciaria a nova estrada: “preparem o caminho do Senhor”.  Esse, que foi anunciado por Isaias, foi João Batista bradando no deserto: Convertam-se porque o Reino do Céu está próximo.
A Umbanda, como todas as religiões espiritualistas, vê esse chamado Reino do Céu, como a plena e total iluminação do ser humano.  É o incendiar da Centelha Divina que existe em cada ser humano, levando-o ao fim de suas existências encarnadas a uma perfeita harmonia com a Energia Espiritual Primordial, ou seja, com Deus.
 No entanto Jesus veio e o mundo continuou o mesmo.  Todos os erros e acertos que eram cometidos continuam sendo.  O Reino do Céu portanto é mais que um simples cumprimento do ritual e dos sacramentos de uma religião. Mais do que isso, é uma evolução no dia a dia.  Ele, segundo os ensinamentos de Cristo, está em nós.  O próprio João Batista quando vê os fariseus e os saduceus chegarem para o batismo lhes disse: “Raça de cobras venenosas (...) façam coisas que provem que vocês se converteram” e ainda, “Toda árvore que não der bons frutos, será cortada e jogada no fogo”.  A árvore deve ser vista do ponto de vista espiritual e não material. A árvore simboliza o homem e os frutos suas ações. Também somos responsáveis pelo nosso inferno pois o mal não existe por si só.  O mal é a ausência do bem; assim como o não é a ausência do sim, a escuridão é a ausência da luz, o negro a ausência de cores.  Desta forma, temos em nossa vida, a partir do nosso livre arbítrio, a afirmação do bem ou a sua ausência.  A afirmação do bem é o caminho para nossa evolução. Nossa encarnações são para isso, evoluir. Não podemos estagnar em nossa caminhada de evolução espiritual.   Assim, podemos dizer que um espírito luminoso já chegou ao seu o céu enquanto um espírito sem luz ainda se encontra em seu inferno. Neste último caso,  nossas responsabilidades em futuras encarnações são mantidas intactas, por nós mesmos.
Quando Jesus é batizado, recebe com toda a intensidade a força de Deus, simbolizada nos Evangelhos por uma pomba branca, representando o Espírito Santo.  Naquele momento o Jesus homem, histórico, inicia sua caminhada crística ou  de CRISTO.
Devemos nos lembrar a forma que Jesus, o Cristo, se utilizava para proceder ao ensinamento daqueles que o ouviam, era sob a forma de parábolas ou símbolos, como forma de fazer com que fosse entendida somente pelos que tinham “Olhos para ver e ouvidos para ouvir” (Mateus XII, 16).  Porém, todas as parábolas e simbolismos apresentados por Jesus em sua pregação se encaminham para dois pontos que ao fim se unificam: o abandono do ego e seus desejos materiais e o amor aos nossos próximos, todos filhos de Deus. O  Sermão da Montanha nos mostra, se buscarmos a Verdade nele contida, que a superação do Ego pelo Eu é a única forma que temos de “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmo”.  Enquanto nosso ego comandar nossas ações, escravizando nosso Eu, teremos  inveja, intolerância, falta de compaixão, agressividade, cobiça,imperfeições mentais e de coração não conseguiremos trilhar, com perseverança, o caminho da nossa evolução;
Jesus, repetindo João Batista, começa pregando “convertam-se porque o Reino do Céu está próximo”.  Como vimos o Reino do Céu representa nosso pleno desenvolvimento espiritual; quando Jesus dizia que ele estava próximo é porque estava dentro de nós, como Ele próprio Cristo diria posteriormente: “o Reino do Céus está em cada um de vocês”.  É a centelha divina plenamente desenvolvida e nosso espírito luminoso.
Quando Jesus arrebanha seus apóstolos entre homens simples e rudes como Pedro, outros como Mateus, intimamente vinculado ao símbolo maior da materialidade (o dinheiro), implacável  cobrador de impostos, mandava uma mensagem a toda a humanidade de que todos poderiam chegar à sua iluminação e ainda, Judas Iscariotes aceito como discípulo embora tenha sido o paradigma da falta de amor, da falsidade, do egoísmo, da busca pelo poder, da violência. Foi ao mesmo tempo aquele que teve a mais dolorosa função, a de entregar Cristo a seus perseguidores para que se consumasse a vida crística de Jesus. Tanto isso é verdade que Cristo quando está com seus apóstolos na Última Ceia diz a Judas: “Vai e faz o que tem de ser feito”, e Judas vai e o entrega aos sacerdotes judeus; também mostra isso a última frase de Jesus na cruz: “Consumatun est” , ou seja, “está consumado” ou ainda “está realizado”. Naquele momento, Jesus não se referia à sua morte, mas a  plena realização do Reino do Céu, nele. Ou seja à sua total iluminação, enquanto ser humano, enquanto Jesus. A condição Crística anterior, recebida no momento do seu batismo por João Batista é substituída pelo seu próprio estado Crístico.  Essa foi a contribuição maior de Jesus, ou seja, mostrar que qualquer ser humano poderá a assumir sua condição crística, pois também é filho de Deus.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

BASES DOUTRINÁRIAS DA RELIGIÃO DE UMBANDA III

4.  A vida após a morte e a conseqüente comunicação com os Espíritos

A vida após a morte é uma decorrência inevitável da concepção que temos dessa Energia Divina.  Como explicar todas as diferenças existentes nesse mundo, mantendo, ainda assim essa crença em um Deus que é a justiça, a bondade, a tolerância, o amor?   Como explicar que alguns tenham tanto e outros careçam do mínimo para uma subsistência?  Por que alguns vivem tanto e outros morrem ainda na mais tenra idade?  Por que crianças que mal entraram nessa vida já tenham tanto sofrimento a passar?  E as diferenças sociais que testemunhamos todos os dias. Somente a pluralidade das existências pode explicar essas diferenças sem que tenhamos que aceitar a possibilidade de um erro ou uma injustiça divina.  Somente se enxergarmos essa vida como a continuação de outras pode nos dar uma explicação plausível para todas essas diferenças sem que tenhamos de abrir mão de nossa crença em um Deus único e fonte de todas as qualidades existentes em nosso mundo. 

A comunicação com os Espíritos é um ponto que, aparentemente é apenas um objeto de fé, já foi, no entanto, comprovada pela ciência através de filmes, gravações e manifestações presenciadas por cientistas dedicados a estudar tais fatos.  Por outro lado, o mesmo foi comprovado através de médiuns das mais diversas tendências religiosas.  Também, desde a mais remota antiguidade teve, este mundo, inúmeros homens que podiam se comunicar com aqueles que já se foram para o outro plano.  Na Umbanda, quantas vezes somos surpreendidos por revelações, que nos são feitas por Pretos Velhos, Caboclos, Exus e outras entidades,  sobre  fatos que julgávamos conhecidos somente por nós mesmos;  e os avisos que estas mesmas entidade nos dão sobre acontecimentos futuros e que realmente vêm a acontecer?  E a proteção que, inúmeras vezes, sentimos que elas nos dão e o pressentimento de sua presença que, tantas vezes, temos?  A única coisa que nos cabe em tudo isto é, acreditando nelas, contribuir para a elevação dessas comunicações evitando torná-las meros oráculos de predição ou de magia responsáveis por tornarem nossa vida melhor.

A Umbanda não é um pátio de milagres, à nossa disposição, visando atender a todos nossos desejos ou necessidades. Grande parte de nossos problemas é gerada por nós mesmos, através de ações impensadas e, muitas vezes irresponsáveis.  Desta forma a obrigação de vencer os obstáculos é nossa, somente nossa; as entidades nos ajudam nessa caminhada, mas não podem caminhar por nós ou desviar nosso caminho.




5.   A existência do carma como forma de evolução e não de punição

O Ser humano, pelo caráter punitivo e até vingativo de certas culturas religiosas, acostumou-se a  ver o carma como o castigo que recebemos de  Deus  pelos nossos erros em vidas passadas.  Essa visão de um Deus vingativo e punitivo é incompatível com a que nós, os Umbandistas, temos de nosso Deus. Por isso mesmo, o carma tem para nós um sentido diferente.  Na verdade, somos fruto de nossas decisões, de nosso livre arbítrio.  Ele é a forma que temos para evoluir e não significa punição, mas sim aprendizado, não significa sofrer por débitos passados mas sim criar créditos para o nosso futuro.  O carma, que significa, em sânscrito, ação geradora de uma história, ou, simplesmente, história é resultado de nossos atos, emoções e sentimentos ao longo de nossas encarnações. Não nascemos para sofrer. Nosso carma não é, obrigatoriamente, para o sofrimento. Ele pode também nos trazer também a bem-aventurança, dependendo de como encaramos nossos desafios e de como orientamos nossas ações.

O homem, dentre todos os animais viventes conhecidos, é o único que pode determinar o seu caminho. Os outros seguem o seu instinto. Do ponto de vista material, somos vistos apenas pelos condicionamentos sociais e econômicos vigentes.  Mas, do ponto de vista espiritual, somos mais do que isso.  Somos nós os responsáveis por nossa evolução espiritual.  Nós determinamos nosso caminho. A lei do carma é inseparável da realidade da reencarnação.  Por isso mesmo, a forma de tornar nosso carma positivo é aprender as lições que nos propusemos em nosso plano dessa vida. De tudo o que nos acontecer de relevante devemos aprender a lição que esses acontecimentos encerram. Devemos agir de maneira correta, Cristã, tornando-nos conscientes de nossa condição de filhos de Deus, portadores da Centelha Divina que, um dia, após as reencarnações necessárias, será plenamente luminosa.

Quando terminamos um ciclo de vida terrena nos é dado rever todas nossas existências e, a partir dessa revisão, que fazemos em nossas vidas, temos a capacidade,  por estarmos libertos da matéria  densa, de julgar nossos próprios atos e de traçar caminhos para nossas futuras vidas corpóreas, visando evoluir em direção a essa energia Divina  que é nossa meta, nosso  porto de chegada, após as necessárias reencarnações.  A forma de evoluirmos é termos uma vida baseada na prática dos princípios cristãos, na prática do bem.

Não sofremos por nossas ações passadas, mas pelo presente em que vivemos, pelo abandono individual e coletivo do Eu. Esse abandono no campo individual significa que damos maior importância às coisas materiais que ao Espírito, mais importância ao TER que ao SER.  Isso nos leva a desejos não realizados, invejas, mágoas e toda uma gama de sentimentos negativos, inclusive a falta de amor a nós próprios, os quais, juntos, nos levam ao sofrimento.  A predominância do TER sobre o SER, do ponto de vista coletivo, leva à implantação de sistemas políticos, econômicos e sociais injustos gerando a revolta e a atos incongruentes com a Doutrina Cristã. 

A Umbanda não é uma religião punitiva.  Por isso não existem culpas nem pecados. O que existe é responsabilidade.  Assim somos responsáveis pela forma como conduzimos nossas encarnações; somos também responsáveis por tudo que nos ocorre durante nossa vida no campo material, emocional e de saúde física e mental. Somos ainda responsáveis por nosso comportamento em relação ao nosso próximo, ao nosso irmão em Cristo. 
Assim, quando fizermos nossa passagem, nosso espírito terá a oportunidade de avaliar a existência passada e identificar quais pontos terá de melhorar para cada vez mais seguir na direção da Luz Divina. 


6. O  livre arbítrio
O ser humano tem pelo menos dois momentos cruciais de livre arbítrio.  O primeiro deles é no momento em que prepara sua reencarnação, quando define o caminho que irá trilhar em sua próxima existência.  O segundo momento é quando, já reencarnado, por sua própria decisão,  define-se por cumprir ou não aquele plano de vida a que se propôs.  Também aqui se faz sentir a Bondade, a Tolerância , enfim, em síntese,  a energia Divina.  Não importa quantas vezes o ser humano deixe de cumprir aquilo que foi traçado, por ele mesmo, enquanto estiver nesse ciclo de vida sempre será  tempo  de voltar atrás e começar a cumprir aquilo que ele próprio determinou como objetivo em cada ciclo terreno. Para a evolução não existe o ontem nem o amanhã, existe o hoje. Assim, todo dia é nosso dia de trabalho; é o dia certo para transformarmos nossa vida e a colocarmos no caminho da evolução.

   7.   A reencarnação
Tudo que foi anteriormente visto,  não se pode compreender se não aceitarmos a reencarnação. Cada ciclo de vida terrena que iniciamos é, na verdade, mais uma oportunidade que ganhamos para caminharmos em direção à plena harmonia com a Energia Divina. Através de nossas múltiplas existências terrenas é que conseguimos evoluir no caminho que nos determinamos.  Para isso, devemos ter sempre presente, em nossos atos, a palavra de Cristo, seguindo a senda espiritual do amor a Deus, ao próximo e a si mesmo. 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

BASES DOUTRINÁRIAS DA RELIGIÃO DE UMBANDA II

1.   Deus Único

Na Umbanda, chamamos de Olorum aquele que é a fonte de tudo e de todos neste mundo. Fonte da perfeição, da bondade, da fidelidade, do amor, da tolerância; é o Princípio do qual emanam todas as qualidades desejáveis no ser humano. Por isso, devemos distinguir as qualidades humanas de seu princípio. O homem ama, é bom, busca ser perfeito, tolera, é fiel, enquanto Deus é o princípio de tudo isso.  Nós O conhecemos como Olorum, mas na verdade esta é apenas uma forma de O designar. Poderá ser chamado de Zambi, Deus, Tupã, Jeovah, Rama, Atma, Bhrama, Vishnu, ou qualquer outro nome pois isto não mudará sua essência Divina e Una. Essas são apenas formas que usamos para o denominar, pois, na verdade, Deus é inominável, é incompreensível para nós, assim como é infinito, eterno e onipresente. Se não o vemos com a forma antropomórfica, que normalmente as religiões de origem cristã utilizam, podemos admiti-lo como uma energia, da qual todos os seres do universo possuem uma centelha, uma fagulha. Quando Moisés, ouve a voz que o manda voltar ao Egito para libertar seu povo, pergunta: “mas, quem devo dizer que me mandou, ao faraó?” e a resposta foi:” Diga apenas que EU SOU”.

2.   Jesus Cristo como filho e maior médium de Oxalá enviado por Deus

Jesus, nascido em Nazaré viveu seus primeiros anos como carpinteiro ao lado de seu pai José. Ele, que era possuidor de enorme intuição, mediunidade, conseguia perceber coisas que não eram dadas a conhecer aos humanos de sua época.  Na sua infância e adolescência já mostrava a sua grande capacidade mediúnica.  Quando, ainda menino, entra no Templo e começa a ensinar aos doutores e sacerdotes apresentando, aí, a sua primeira manifestação de mediunidade psicofônica.  Ele, Jesus o Nazareno, já sabia que tinha uma missão a cumprir. Assim, quando sai de sua casa e começa a reunir seus apóstolos inicia essa missão. A confirmação de sua missão especial, como Jesus, o Cristo, vem após seu batismo por João Batista, profeta que o precedeu e o anunciou.  Quando vai para a Galiléia, para o Rio Jordão, para ser batizado por João Batista ele se aproxima e João Batista busca todas as maneira para impedir que ele se batize dizendo: “Sou eu quem deve ser batizado por ti, por que vens a mim” (Mat 3; 13 a 15).  Jesus lhe respondeu; “Por enquanto deixe como está! Porque devemos cumprir toda a justiça”. Neste momento manifesta-se o filho de Deus que já existia nele como uma centelha adormecida e ouve-se uma voz dizendo: “Este é meu filho bem amado, que muito me agrada” (Mat.3: 17).
Cristo torna-se assim o “caminho, a verdade e a vida”, pois aquele que o seguir chegará à plena iluminação. “Conheça a Verdade e ela vos libertará”.  A Verdade a que se refere Cristo é a compreensão do verdadeiro sentido de suas palavras, sempre desvinculadas do material, vinculadas ao espiritual, sempre com amor e não com sentido punitivo de uma lei. Por isso foi nos dado o “livre arbítrio”.  Jesus foi considerado o Único filho de Deus, pelas religiões que nele se basearam pelos seguintes motivos:
- a necessidade de reconhecê-lo como Deus;
- o fato de, à época, ser o único que entendia ser ele um desdobramento da Energia Divina; “O Pai e eu somos um” (João, 10  30).
Essas religiões, no entanto, se esquecem que o próprio Jesus, reconhece nossa filiação a Deus: “Portanto, sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai que está no Céu” (Mat. 5 48) “Vós sois deuses” (João, 10  34)

3. Existência em nós da centelha divina

Em seu evangelho João o Evangelista escreve que Jesus Cristo foi abordado por Nicodemos, importante homem de Israel, que lhe disse: “Rabi, sabemos que tu és um Mestre vindo da parte de Deus. Realmente, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes se Deus não está com ele”. Jesus respondeu: “Eu garanto a você: se alguém não nasce do Alto, não poderá ver o Reino de Deus”. (João,cap.3, v 2,3).[i] 
Nesse mesmo capítulo, Cristo continua: ”Eu garanto a você que ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nasce da água e do Espírito. Quem nasce da carne é carne, quem nasce do Espírito é Espírito. Não se espante se eu digo que é preciso que vocês nasçam do Alto. O vento sopra onde quer, você ouve o barulho, mas não sabe de onde ele vem nem para onde ele vai. Acontece a mesma coisa com o Espírito”
O sentido de Alto é o mesmo que de Espírito nessas citações. Diz respeito à necessidade que temos de fazer nascer em nós a semente adormecida da Centelha Divina; é nossa elevação espiritual, o Céu está aqui e agora resta a nós descobri-lo pois está dentro de nós. Santo Agostinho, considerado o maior teólogo da Igreja Católica disse: “O centro de Deus está em toda parte”, portanto inclusive em nós. Salomão por sua vez já havia dito, antes de Santo Agostinho, “A sabedoria de Deus brinca, todos os dias, sobre toda a redondeza da terra”.  Hoje, com o avanço dos conhecimentos astronômicos, podemos dizer que a sabedoria da terra brinca em todo o Universo Cósmico. 
A Centelha Divina que possuímos é como o brilhante que precisa ser cortado, burilado de uma pedra bruta e suja para que possa brilhar em todas sua intensidade. “Chico Xavier disse: quando fizeres sua passagem ninguém se importará com o que fostes ou o que fizestes mas, sim, com a quantidade de Luz que amealhastes ao longo da existência”.   No caso do Espírito, de nossa Centelha Divina, o burilamento não consiste em sofrermos durante nossas vidas terrenas, mas de compreendermos que ela brilhará somente após a eliminação de nossos sentimentos egocêntricos, do sentimento do Ter, depois que o Eu se sobrepor às necessidades materiais do ego, após o Ser superar o Ter. Quando Jesus Cristo fala da água e da carne está se referindo à Espiritualidade em contraposição à materialidade.
A citação sobre o vento refere-se ao “sopro divino” que todos o sentem, pois estão vivos, mas não sabem de onde vem. Não conseguem explicar o princípio vital. A ciência procurou-o de todas as formas, mas não o encontrou.  De onde vem a vida? Para onde vai? Esse é o vento que sopra sem que saibamos de onde vem e para onde vai.
Assim como Jesus Nazareno, alcançou sua realização Crística, tornando-se o filho de Deus, poderemos fazer com que esta Centelha de Deus, que existe em nós, torne-se cada vez mais fulgurante, liberta dos sentimentos mundanos. Assim, passaremos a ser em um primeiro momento homens bons, num segundo momento iluminados e virtuosos e em um momento seguinte seres luminosos, sábios.  Assim, passaremos de Bons a Iluminados  e Virtuosos; a seguir teremos luz própria, seremos Luminosos e Sábios porque conheceremos a Verdade.
A diferença ente um ser Bom e um Iluminado e Virtuoso é o fato de que uma pessoa pode ser boa, conhecendo a lei e buscando cumpri-la, sem contudo preencher todos os seus requisitos; aqueles que atingiram à condição de Iluminados e Virtuosos cumprem a Lei porque consideram a lei deve ser cumprida e, por fim, aqueles que têm Luz própria e a Sabedoria cumprem o Evangelho de Cristo porque conheceram a verdade. Já se despojaram de seu ego; de todas as necessidades materiais supérfluas. Quando Jesus traz o seu Evangelho este vem avançar além de tudo aquilo que Moisés disse. As palavras de Moisés significavam leis terrenas que permitiam controlar um povo bárbaro e ignorante.  Tribos em estado primitivo de civilização.  Já Jesus nos traz o amor. Por isso, Jesus disse “Não pensem que eu vim para destruir (abolir) a lei e os profetas. Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento” (Mat. 5;17).  O homem virtuoso é aquele que cumpre a lei (de Moisés) o sábio é aquele que abandona o ego por sua própria vontade (pela compreensão da Verdade de Jesus). O virtuoso torna-se virtuoso porque segue a lei, o sábio abandona todos os desejos materiais e sua vinculação à matéria porque compreende que esse é o único caminho para sua plena evolução.  Para o primeiro é um sacrifício, paro o segundo é uma realização.


[i] Cabe ressaltar que a letra maiúscula no Alto foi introduzida pelo autor pelo sentido que possui. Não é alto no sentido contrário ao de baixo. Veja explicação a seguir.

sábado, 6 de agosto de 2011

BASES DOUTRINÁRIAS DA RELIGIÃO DE UMBANDA I



LEIS DA UMBANDA

1.     Lei de amor incondicional aos irmãos



       A lei do amor que nos foi ensinada por Jesus em seu Evangelho. Jesus quando nos fala de amor leva-o ao ponto extremo.  Quando diz “amai aos vossos inimigos” está nos ensinando que nós não devermos ser inimigos de ninguém.  Devemos ver, em cada ser humano, nós mesmos.  Nossa alma é uma continuação da alma de cada um. Nosso espírito algum dia complementará o espírito de cada um de nossos irmão na formação de uma grande luz universal, que tornará esse mundo melhor, mais bondoso.  Façamos nossa vida voltada exclusivamente para o amor e para sua  principal e mais importante qualidade que dele deriva e que um ser humano pode ter: A CARIDADE



2.     Lei de respeito a toda criação de Deus


       Lei de proteção à natureza e a todo ser vivente.  Para nós, os Umbandistas, os Orixás são energias da natureza. A natureza não pertence ao ser humano, o ser humano é com  a natureza.  Por isso, devemos deixar que ela entre por nossos sentidos , afirme-se em  nossa  mente e nossa alma dela faça parte. Assim não podemos ser omissos perante a destruição da natureza e muito menos participar de sua destruição.  Sejam animais, sejam vegetais ou minerais, todos eles são criação de nosso Pai e, portanto, devemos  preservá-los e respeitá-los.  O mundo em que vivemos é formado pela energia de todas  criaturas de Deus.  Há uma interação entre as energias de todos os reinos: animal, vegetal, mineral e hominal.  Por isso, a destruição de um deles significa também a destruição dos outros.



 SINCRETISMO RELIGIOSO EM NOSSA RELIGIÃO

Além dessas leis, a Umbanda pela sua origem é uma religião Cristã.  Possui sincretismo com o Candomblé, no tocante à existência dos Orixás.  Do Espiritismo, e das religiões orientais, originam-se os demais conceitos básicos da religião.  No entanto, como uma religião que tem seus próprios dogmas e suas próprias bases filosóficas, vários dos conceitos existentes nas religiões que as influenciaram tem um significado próprio dentro da Umbanda. 

Há um grande sincretismo religioso na Umbanda, com o Catolicismo, com religiões espiritualistas, em especial o Espiritismo, e com o Candomblé. Se formos além das fronteiras do Brasil, veremos que também as religiões orientais tiveram uma grande influência sobre nossa Umbanda, em especial no tocante aos trabalhos com respeito à saúde. Os conceitos referentes à reencarnação, ao livre arbítrio, à responsabilidade pessoal por nossos atos e outros advêm tanto do espiritismo como das religiões orientais.

Do Catolicismo esse sincretismo deve-se a que os negros trazidos para o Brasil, nas casas de seus senhores eram obrigados a se batizar, receber um nome português e adotar a doutrina Católica. Como forma de continuar cultuando seus Orixás, sem que seus donos ou os padres percebessem, os negros passaram cultuá-los através dos santos católicos. Então cada santo passou a representar um Orixá; na realidade os primeiros negros não cultuavam os santos católicos. No caso específico dos Orixás o sincretismo é visto com mais força no tocante ao nome das antigas tendas, pois sendo proibido colocar o nome dos Orixás, os Pais de Terreiro colocavam o nome de santos católicos.  Assim, ainda hoje temos alguns Orixás que pelo sincretismo são mais conhecidos como santos católicos Oxalá (Jesus Cristo) Omolu (S. Lázaro); Ogum (S. Jorge); Oxossi (S. Sebastião – Na Bahia esse sincretismo muda - pois S. Jorge passa a ser Oxossi e S. Sebastião), Ogum); Ossãe (S.Bartolomeu);  Iansã (Santa Bárbara); Xangô (S. Jerônimo); Oxum (N.Sra. da Conceição); Oxumare (N. Sra. das Graças); Ibeji (Cosme e Damião); Iemanjá (N.Sra. da Glória, N.Sra. dos Navegantes na Bahia) e Nana (Sant’Ana).
A partir da década de 1930 algumas Tendas começaram a denominar-se com o nome de Orixás.
Logo a seguir a Igreja Católica proibiu a existência e uso de imagens católicas dentro das Tendas.  Nesse momento o sincretismo já estava muito forte e também a Umbanda já possuía sua organização através da União Espiritista do Brasil, que congregava as Tendas criadas a partir do advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas.  Através dessa União, foi encomendada, a um artista francês, residente no Rio, a quadros representando os Orixás na Umbanda. Chegou a ser concluída uma pintura representando Oxalá (que era Jesus Cristo dentro de uma grande luz amarela que representava o Sol) e foram feitas, também, as de Iemanjá e Oxum.  A que mais se firmou foi a de Iemanjá que até hoje é encontrada nos templos de Umbanda.

Do Candomblé vêm os Orixás que foram trazidos pelos Pretos Velhos.

Do Espiritismo, até porque origem da Umbanda se deu em uma mesa kardecista, veio a filosofia cristã da Umbanda e também a reencarnação.

FUNDAMENTOS DA UMBANDA         


A  Umbanda,  como  toda religião,  tem princípios religiosos e filosóficos básicos que buscam lhe dar coerência servindo de fundamentos  e orientações para os seus seguidores ou fiéis.  A Umbanda possui sete princípios que a sustentam.

O primeiro é a crença em um Deus único.

O segundo é a aceitação de Jesus, o Cristo como um filho especial de Deus, chegado à total evolução e à capacidade mediúnica plena.

O terceiro é a existência, em nós, da centelha divina (por isso somos também filhos de Deus).

O quarto  é a existência de vida após a morte e a comunicação com as almas

O quinto é a existência do carma.

O sexto é o exercício do livre arbítrio.

O sétimo é a certeza da reencarnação.

A Umbanda  é uma religião que deve ser professada sem medos, sem preconceitos e sem superstições visando nossa libertação.  Não se pode imaginar um Deus que seja vingativo, punitivo e que esteja atento ao ser humano sempre com a finalidade de apanhá-lo em pecados, em faltas e puní-los. A grande finalidade de uma religião é levar o homem até Deus, como o próprio nome indica, religá-lo à Energia Divina.   




domingo, 31 de julho de 2011

O HOMEM BOM TIRA COISAS BOAS DE SEU CORAÇÃO

O HOMEM BOM TIRA COISAS BOAS DO SEU CORAÇÃO

Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons, porque toda árvore é conhecida pelos seus frutos. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, mas o homem mau tira do seu mal coisas más, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio. (Lucas, cap. VI, 43,44,45)


Como que nós podemos imaginar que uma pessoa que labuta o tempo todo em benefício próprio e se preocupa sempre em ter vantagens pessoais, em passar por cima de pessoas, que essa pessoa pode ter naquele momento, ou com aquelas ações coisas boas no coração?
O que Cristo nos trás nesta passagem é que não adianta que nós nos acreditemos bons, que nós digamos que somos bons, se as nossas ações nos desmentem. Muitas vezes a gente vê uma pessoa que, se dizendo muito boa, humilha a outra, com palavras ou com ações. Quantas vezes a pessoa faz valer o poder que tem pra prejudicar outras pessoas e, no entanto, se considera um perfeito cristão.

As ações que nós executamos ao longo da nossa vida, elas não são algo separado daquilo que nós somos, são como espelhos nossos. Se queremos saber como somos olhemos as nossas ações, olhemos o nosso comportamento. Observemos aquilo que nós fizemos de errado e busquemos sua correção. De nada adianta eu ficar o tempo todo me culpando porque eu faço algo errado, mas continuar fazendo. Não adianta eu ficar, a vida inteira, arrependido porque eu sou egoísta se eu continuo sendo egoísta. Não se trata de buscar culpa. Não se trata de buscar castigo, Jesus não nos ensinou isto; ele quer que nos preocupemos com a nossa evolução, e ela se dá através da identificação de nossos erros e do trabalho de correção que podemos fazer a partir daí.  

Quantas vezes nós estamos aborrecidos, chateados porque alguma coisa desagradável aconteceu e somente perguntamos porque aquilo aconteceu conosco já que, do nosso ponto de vista, sempre fomos tão bons, nunca fizemos  mal a ninguém, nunca desejamos o mau para ninguém! Mas será que é assim mesmo que eu me comportei? Será que eu não plantei a semente daquilo que estou colhendo?

Muitas vezes falamos: Ah, eu estou sofrendo assim porque Deus quer. Mas, como nós podemos imaginar que a fonte inesgotável da bondade faça alguém sofrer. É inexplicável nós imaginarmos que a fonte da justiça estivesse querendo que uma determinada pessoa sofra? Nossos sofrimentos nós buscamos, assim como a nossa evolução nós também buscamos, assim como a nossa felicidade nós também buscamos. Muitas vezes vemos pessoas que nos espantam com a sua alegria, embora saibamos que ela tem por trás inúmeros problemas, muito maiores do que os nossos, de toda ordem, e, no entanto, aquela vive sorrindo, vive brincando, mais feliz do que nós, que por qualquer pequeno contratempo, por qualquer desejo não satisfeito, por qualquer egoísmo não atendido ou não conseguido, estamos aborrecidos com a vida e maldizendo a hora que nascemos,  reclamando contra Deus, achando que é uma grande injustiça que nos ocorreu.  O não reclamar, o estar feliz, não quer dizer que nós ficaremos parados no sofrimento. Devemos saber que não é parando e nos abatendo, que vamos resolver os problemas. Temos de saber que mesmo com as dificuldades que temos ainda temos uma coisa que ninguém vai nos tirar , somos filhos de Deus e teremos sempre  a oportunidade de sermos felizes. Deus não colocou ninguém aqui para ser infeliz,  Quantas vezes nos agarramos a alguma coisa, a algum bem material, a algum desejo, e nos tornamos infelizes porque não conseguimos aquilo. A nossa evolução está em nós reconhecermos a necessidade de nos apartarmos do excesso de materialidade que nos cerca. A tristeza não é o melhor caminho da evolução. A tristeza não é o melhor caminho para chegar a Deus, seguramente é o caminho mais difícil, seguramente é o caminho mais tortuoso, seguramente é o caminho mais demorado, porque juntamente com a tristeza vem o desespero, junto com a tristeza vem a raiva. Ela, a tristeza, nos traz sentimentos negativos; nós temos que aprender a não sermos tristes; nós temos que aprender a não nos desesperarmos com as dificuldades da vida. As nossas dificuldades não são únicas. Será que se nós olharmos o noticiário de televisão nós ainda vamos nos sentir infelizes? Basta olhar um, não precisa olhar todos não, basta olhar um noticiário de televisão e nós veremos a quantidade de desgraças que ocorrem por este mundo, e ainda assim nós nos sentimos infelizes? Não, não podemos jamais nos sentirmos infelizes, porque nós temos uma coisa que é fundamental, nós termos a crença em Deus, nós sabemos que o nosso caminho para ele é garantido, demore uma, duas, 10, 1000 encarnações, mas nós chegaremos lá. A cada encarnação que nós passarmos estaremos nos aproximando de Deus, a nossa luz interior estará se tornando brilhante. Vamos deixar isto na nossa cabeça, vamos guardar isto como um lema, o melhor caminho para a nossa evolução é a alegria de viver, é a alegria de ser filho de Deus, é a alegria da certeza que nós temos de que Deus nos dá, não uma, não duas mas inúmeras chances de voltarmos nesta terra para continuarmos a nossa evolução. Se nós tivermos isto presente no nosso dia a dia, eu tenho a certeza que qualquer tristeza será um fardo muito leve para a gente carregar, qualquer tristeza, não contará mais do que no pequeno momento em que ela aconteceu e depois disto nós teremos força para seguir a diante. Pensemos nisto.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

BEM AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA


1.       Justiça terrena versus Justiça Divina
Do ponto de vista terreno, é aguardar a resposta da justiça humana, em face de determinada ação injusta que sofreu.  A justiça terrena é temporal, é resultado de convenções e leis elaboradas por seres humanos, de acordo com o interesse e o tempo daqueles que estão no poder.  Quando essa justiça falha, o homem passa a esperar uma justiça divina que puna o responsável pelos seus sofrimentos. Imagina uma justiça divina que se caracteriza pela ira de Deus, que pune o pecador ainda nessa vida ou após sua morte. Ditos como: O castigo de Deus é maior / Do castigo de Deus ele não escapa /  Deus tarda, mas não falha. Se algo de ruim acontece ao responsável por aquilo que sofremos já dizemos, Viu? Deus já o está castigando / Ele não sabe que isso ainda não é nada, etc. Acredita-se que a justiça de Deus é aquilo que representa a justiça do homem, ou mesmo, que ela é suplementar à do homem, pois quando esta falha a de Deus vem para corrigir o erro. Na esteira desse conceito, temos o conceito de Céu e de Inferno, que seriam os lugares onde Deus faria a sua justiça, quando o homem morresse.

2.       Dever e Justiça
Quando o homem se preocupa mais com seus direitos que com seus deveres, passa a ter um comportamento egoísta. A voz da consciência não é ouvida por ele; apenas seus interesses materiais são importantes; apenas a justiça que lhe reponha o que pretensamente lhe foi tirado é o que importa. A justiça para este homem é conseguir tudo o que ele acha que tem direito, não importando o direito dos outros, chegando mesmo a negar o direito de outros, em função do seu interesse. Por isso, na maioria das vezes, por essa falta de medidas o direito torna-se um enorme egoísmo; o cumprimento do dever é sempre o amor. Aqui não falamos, simplesmente, do dever material, mas também do dever espiritual, que vem do Evangelho de Cristo. A maior justiça se faz pelo amor e não pela punição.

3.       Julgamento
O julgamento maior, aquele que pode nos levar à evolução é o julgamento que nós mesmos fazemos a respeito de nossos atos, de nossos sentimentos, de nossas palavras, de nossas falhas. Por isso, nele nós acusamos nossos erros, nossas faltas, nossas intolerâncias, nossos egoísmos, etc. Esse é o Julgamento Divino que devemos esperar, pois outro não haverá, já que Deus está em nós. Somos nós que nos julgamos, tanto em vida como após a morte. Na busca da evolução saberemos o quanto já caminhamos e o quanto perdemos de tempo nesta e em outras existências. Esse julgamento não se dá, portanto, como um julgamento terreno que se dá dentro dos trâmites da justiça, na dependência daquilo que acham outros homens, de sua interpretação da lei. Ela se dá em nossa consciência, na compreensão de que somos filhos de Deus e que em nosso interior existe uma Centelha Divina que deverá, ao longo de nosso processo de evolução deve crescer até que sejamos plenamente luminosos, como o foi Jesus e como deve ser um Filho de Deus.
4.       Os que têm fome e sede de Justiça
Colocadas as premissas, o que chamamos então de “os que têm fome e sede de justiça”?
Temos dois tipos de homens que “têm fome e sede de justiça”:
a.       o primeiro é aquele que tendo despertada recentemente sua consciência a respeito das coisas do espírito, começa a se questionar sobre:
·         a forma de construir sua existência,
·         o valor das buscas e vitórias materiais,
·          o tipo de vida que leva, sem se importar com seu lado espiritual,
·         sua qualidade de vida,
·         seus atos e suas obras
·         etc.
Tendo iniciado esses questionamentos segue em frente buscando cada vez mais o caminho da evolução, abandonando a procura do ter e passa a buscar o ser.
b.      O segundo, é aquele que já de há muito conhece e labuta sobre sua evolução espiritual, tendo sempre a preocupação de avaliar sua relação com seu Deus Interior, com sua Centelha e busca a perfeição.

O primeiro começa, com esse novo posicionamento perante a vida, em especial, com sua aceitação da necessidade de dedicar-se mais à vida espiritual, a aproximar-se da virtude e tornar-se virtuoso.  Antes ele buscava parecer (ou não) religioso, apresentar-se como um homem bom, até praticando o bem, mas não se preocupando de fato com sua evolução. Agora, no entanto, sua postura frente à vida é diferente. Ele sabe que agora tem de evoluir e que não deve contrariar a finalidade de sua existência neste mundo e, por isso, se vigia para não incorrer nos erros grosseiros que cometia antes.
Já o segundo, ultrapassou esse estágio e agora é um homem sábio, faz, sem dificuldade, tudo aquilo que pode contribuir para sua completa iluminação. Sua bondade não é forçada, é natural.
O primeiro tem fome e sede de justiça porque despertada sua consciência quer agora consertar os seus erros, reparar seus atos maus ou vis. A justiça para ele é o resgate, ainda em vida, desses erros e atos, censurando, agora, nos outros que os cometem, e censura a si mesmo por haver incorrido nesses atos.
O segundo busca seu caminho para a sabedoria, já não praticava tais atos, não censura outros porque sabe que cada um tem sua hora e vez de caminhar, que o tempo da evolução de cada um é diferente, mas que todos chegaremos a Deus, após muitas encarnações.
O primeiro tem fome e sede da justiça, no sentido de redimir-se; o segundo porque busca cada vez mais a retidão de seus atos. No primeiro o sentido é de justiça no sentido exato da palavra. Busca redimir-se, aceita as penas para seus erros,pede a Deus que o fortaleça, e começa a compreender a importância do Evangelho em sua vida.. No segundo o sentido de justiça refere-se à justeza de seu comportamento, à retidão de seus atos, à certeza de que está, de há muito, no caminho certo. Não necessita mais aprender que seguir o Evangelho é o único caminho que o leva a Deus, ele já o sabe.


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A FÉ

Não há mais como negar que a fé é algo que hoje vem sendo comprovado.  Ela vem sendo  constatada inclusive pela ciência.  A fé não pode nascer da ansiedade.  Muitos dizem ter fé, mas na verdade estão ansiosos.  Quantos nessa ansiedade emitem conceitos negativos que vão para o espaço, plasmando formas pensamentos que se tornam realidade a partir da falta de fé e da ansiedade que temos em resolver nossos problemas pessoais.  Quantas vezes uma mulher engravida depois de adotar uma criança?  A Fé é um caminho de ida em nossa vida, jamais volta.  Aquele que realmente tem fé treme, mas não cai: ”Filho de Umbanda balança, mas não cai”.  Essa frase de um ponto histórico, conhecido por, provavelmente, todos os Terreiros existentes no Brasil, dá uma demonstração do que significa a fé para um Umbandista.  Mesmo nas horas mais difíceis da vida ele se agarra ao Preto Velho, ao Caboclo, ao Exu, à Criança e quando percebe já ultrapassou aqueles momentos que considerava impossíveis de superar.
Quantas pessoas entram em desespero ao se defrontarem com as vicissitudes que enfrentamos no nosso dia a dia e não contam com o refrigério da Fé para ajudá-las na superação das dificuldades. Essa nossa Fé não é aquela Fé cega que as crianças têm perante as habilidades de um mago.  Não esperamos que como em um passe de mágica nossos problemas vão desaparecer só porque me sentei aos pés de uma entidade de Luz, de um Preto Velho ou um Caboclo. Nossa Fé é aquela que sabe que temos nossa responsabilidade e nosso livre arbítrio como governantes maiores de nossos caminhos. Nossa Fé deve abranger todos os aspectos de nossa Religião.  Se tivermos Fé saberemos que, se hoje o momento pelo qual passamos é difícil, será melhor amanhã.  Saberemos que o que estamos aprendendo neste mundo com as dificuldades que temos de vencer será, amanhã, em outra existência estarei melhorado, mais luminoso e sem a necessidade de continuar aprendendo uma lição na qual já fomos aprovados.
Como Umbandistas, devemos ter a Fé como suporte para nossas vidas. Temos a bênção de acreditar na comunicação com as Almas, de acreditarmos na vida após a morte, na reencarnação, o que dá outro sentido a essa nossa passagem por essa existência.  Podemos chegar aos pés de um Preto Velho, junto a um Caboclo, a um Exu e a outras entidades de luz que nos ajudam a superar nosso dia a dia, com dignidade, resignação e espiritualidade,  enquanto encarnados, para que após nossa passagem possamos chegar ao Plano Espiritual melhorados, mais evoluídos, com maior luz própria. 
A Fé é, portanto, a principal característica que nós, religiosos, Umbandistas devemos ter. Ela é base de toda nossa religião, como de resto, de qualquer outra religião. A Fé permite que nos liguemos à Energia Primordial, através de nossas orações e de nossos pensamentos.  A Fé permite que sigamos em frente, que caminhemos, em nossa vida, apesar dos percalços. Nela, nós nos fortalecemos. Devemos ter fé em nós, em Deus, nas entidades de luz, enquanto mensageiras do plano astral.  Quando uma dessas entidades nos fala que aquele problema que estamos expondo logo será resolvido, devemos ter a fé de que ele será resolvido, sem, no entanto, querer que num passe de mágica seja tirada de nosso caminho aquela dificuldade.  As entidades não podem influir sobre nossa vida passando sobre o livre arbítrio de nosso espírito.  Aquilo que programamos como nosso aprendizado vai acontecer. Nessa ou em outras encarnações. Pode acontecer conosco em como religiosos e com fé ou não. A diferença pois, é que com a fé teremos o apoio dessas entidades enquanto, sem a fé, estaremos só.  Devemos lembrar sempre daquela frase (se não me engano de Papus): DEUS É TÃO BOM QUE MESMO AQUELES QUE NÃO ACREDITAM EM DEUS UM DIA VERÃO A DEUS.  Essa frase nos diz, nos ensina pelo menos duas situações que são inevitáveis: a primeira é a evolução, pois somente com ela chegaremos à nossa plena luminosidade, e, consequentemente, à visão de Deus; a segunda é que a reencarnação é necessária, pois somente com a pluralidade das vidas chegaremos ao estágio de poder ver a Deus.