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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

BASES DOUTRINÁRIAS DA RELIGIÃO DE UMBANDA II

1.   Deus Único

Na Umbanda, chamamos de Olorum aquele que é a fonte de tudo e de todos neste mundo. Fonte da perfeição, da bondade, da fidelidade, do amor, da tolerância; é o Princípio do qual emanam todas as qualidades desejáveis no ser humano. Por isso, devemos distinguir as qualidades humanas de seu princípio. O homem ama, é bom, busca ser perfeito, tolera, é fiel, enquanto Deus é o princípio de tudo isso.  Nós O conhecemos como Olorum, mas na verdade esta é apenas uma forma de O designar. Poderá ser chamado de Zambi, Deus, Tupã, Jeovah, Rama, Atma, Bhrama, Vishnu, ou qualquer outro nome pois isto não mudará sua essência Divina e Una. Essas são apenas formas que usamos para o denominar, pois, na verdade, Deus é inominável, é incompreensível para nós, assim como é infinito, eterno e onipresente. Se não o vemos com a forma antropomórfica, que normalmente as religiões de origem cristã utilizam, podemos admiti-lo como uma energia, da qual todos os seres do universo possuem uma centelha, uma fagulha. Quando Moisés, ouve a voz que o manda voltar ao Egito para libertar seu povo, pergunta: “mas, quem devo dizer que me mandou, ao faraó?” e a resposta foi:” Diga apenas que EU SOU”.

2.   Jesus Cristo como filho e maior médium de Oxalá enviado por Deus

Jesus, nascido em Nazaré viveu seus primeiros anos como carpinteiro ao lado de seu pai José. Ele, que era possuidor de enorme intuição, mediunidade, conseguia perceber coisas que não eram dadas a conhecer aos humanos de sua época.  Na sua infância e adolescência já mostrava a sua grande capacidade mediúnica.  Quando, ainda menino, entra no Templo e começa a ensinar aos doutores e sacerdotes apresentando, aí, a sua primeira manifestação de mediunidade psicofônica.  Ele, Jesus o Nazareno, já sabia que tinha uma missão a cumprir. Assim, quando sai de sua casa e começa a reunir seus apóstolos inicia essa missão. A confirmação de sua missão especial, como Jesus, o Cristo, vem após seu batismo por João Batista, profeta que o precedeu e o anunciou.  Quando vai para a Galiléia, para o Rio Jordão, para ser batizado por João Batista ele se aproxima e João Batista busca todas as maneira para impedir que ele se batize dizendo: “Sou eu quem deve ser batizado por ti, por que vens a mim” (Mat 3; 13 a 15).  Jesus lhe respondeu; “Por enquanto deixe como está! Porque devemos cumprir toda a justiça”. Neste momento manifesta-se o filho de Deus que já existia nele como uma centelha adormecida e ouve-se uma voz dizendo: “Este é meu filho bem amado, que muito me agrada” (Mat.3: 17).
Cristo torna-se assim o “caminho, a verdade e a vida”, pois aquele que o seguir chegará à plena iluminação. “Conheça a Verdade e ela vos libertará”.  A Verdade a que se refere Cristo é a compreensão do verdadeiro sentido de suas palavras, sempre desvinculadas do material, vinculadas ao espiritual, sempre com amor e não com sentido punitivo de uma lei. Por isso foi nos dado o “livre arbítrio”.  Jesus foi considerado o Único filho de Deus, pelas religiões que nele se basearam pelos seguintes motivos:
- a necessidade de reconhecê-lo como Deus;
- o fato de, à época, ser o único que entendia ser ele um desdobramento da Energia Divina; “O Pai e eu somos um” (João, 10  30).
Essas religiões, no entanto, se esquecem que o próprio Jesus, reconhece nossa filiação a Deus: “Portanto, sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai que está no Céu” (Mat. 5 48) “Vós sois deuses” (João, 10  34)

3. Existência em nós da centelha divina

Em seu evangelho João o Evangelista escreve que Jesus Cristo foi abordado por Nicodemos, importante homem de Israel, que lhe disse: “Rabi, sabemos que tu és um Mestre vindo da parte de Deus. Realmente, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes se Deus não está com ele”. Jesus respondeu: “Eu garanto a você: se alguém não nasce do Alto, não poderá ver o Reino de Deus”. (João,cap.3, v 2,3).[i] 
Nesse mesmo capítulo, Cristo continua: ”Eu garanto a você que ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nasce da água e do Espírito. Quem nasce da carne é carne, quem nasce do Espírito é Espírito. Não se espante se eu digo que é preciso que vocês nasçam do Alto. O vento sopra onde quer, você ouve o barulho, mas não sabe de onde ele vem nem para onde ele vai. Acontece a mesma coisa com o Espírito”
O sentido de Alto é o mesmo que de Espírito nessas citações. Diz respeito à necessidade que temos de fazer nascer em nós a semente adormecida da Centelha Divina; é nossa elevação espiritual, o Céu está aqui e agora resta a nós descobri-lo pois está dentro de nós. Santo Agostinho, considerado o maior teólogo da Igreja Católica disse: “O centro de Deus está em toda parte”, portanto inclusive em nós. Salomão por sua vez já havia dito, antes de Santo Agostinho, “A sabedoria de Deus brinca, todos os dias, sobre toda a redondeza da terra”.  Hoje, com o avanço dos conhecimentos astronômicos, podemos dizer que a sabedoria da terra brinca em todo o Universo Cósmico. 
A Centelha Divina que possuímos é como o brilhante que precisa ser cortado, burilado de uma pedra bruta e suja para que possa brilhar em todas sua intensidade. “Chico Xavier disse: quando fizeres sua passagem ninguém se importará com o que fostes ou o que fizestes mas, sim, com a quantidade de Luz que amealhastes ao longo da existência”.   No caso do Espírito, de nossa Centelha Divina, o burilamento não consiste em sofrermos durante nossas vidas terrenas, mas de compreendermos que ela brilhará somente após a eliminação de nossos sentimentos egocêntricos, do sentimento do Ter, depois que o Eu se sobrepor às necessidades materiais do ego, após o Ser superar o Ter. Quando Jesus Cristo fala da água e da carne está se referindo à Espiritualidade em contraposição à materialidade.
A citação sobre o vento refere-se ao “sopro divino” que todos o sentem, pois estão vivos, mas não sabem de onde vem. Não conseguem explicar o princípio vital. A ciência procurou-o de todas as formas, mas não o encontrou.  De onde vem a vida? Para onde vai? Esse é o vento que sopra sem que saibamos de onde vem e para onde vai.
Assim como Jesus Nazareno, alcançou sua realização Crística, tornando-se o filho de Deus, poderemos fazer com que esta Centelha de Deus, que existe em nós, torne-se cada vez mais fulgurante, liberta dos sentimentos mundanos. Assim, passaremos a ser em um primeiro momento homens bons, num segundo momento iluminados e virtuosos e em um momento seguinte seres luminosos, sábios.  Assim, passaremos de Bons a Iluminados  e Virtuosos; a seguir teremos luz própria, seremos Luminosos e Sábios porque conheceremos a Verdade.
A diferença ente um ser Bom e um Iluminado e Virtuoso é o fato de que uma pessoa pode ser boa, conhecendo a lei e buscando cumpri-la, sem contudo preencher todos os seus requisitos; aqueles que atingiram à condição de Iluminados e Virtuosos cumprem a Lei porque consideram a lei deve ser cumprida e, por fim, aqueles que têm Luz própria e a Sabedoria cumprem o Evangelho de Cristo porque conheceram a verdade. Já se despojaram de seu ego; de todas as necessidades materiais supérfluas. Quando Jesus traz o seu Evangelho este vem avançar além de tudo aquilo que Moisés disse. As palavras de Moisés significavam leis terrenas que permitiam controlar um povo bárbaro e ignorante.  Tribos em estado primitivo de civilização.  Já Jesus nos traz o amor. Por isso, Jesus disse “Não pensem que eu vim para destruir (abolir) a lei e os profetas. Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento” (Mat. 5;17).  O homem virtuoso é aquele que cumpre a lei (de Moisés) o sábio é aquele que abandona o ego por sua própria vontade (pela compreensão da Verdade de Jesus). O virtuoso torna-se virtuoso porque segue a lei, o sábio abandona todos os desejos materiais e sua vinculação à matéria porque compreende que esse é o único caminho para sua plena evolução.  Para o primeiro é um sacrifício, paro o segundo é uma realização.


[i] Cabe ressaltar que a letra maiúscula no Alto foi introduzida pelo autor pelo sentido que possui. Não é alto no sentido contrário ao de baixo. Veja explicação a seguir.

sábado, 6 de agosto de 2011

BASES DOUTRINÁRIAS DA RELIGIÃO DE UMBANDA I



LEIS DA UMBANDA

1.     Lei de amor incondicional aos irmãos



       A lei do amor que nos foi ensinada por Jesus em seu Evangelho. Jesus quando nos fala de amor leva-o ao ponto extremo.  Quando diz “amai aos vossos inimigos” está nos ensinando que nós não devermos ser inimigos de ninguém.  Devemos ver, em cada ser humano, nós mesmos.  Nossa alma é uma continuação da alma de cada um. Nosso espírito algum dia complementará o espírito de cada um de nossos irmão na formação de uma grande luz universal, que tornará esse mundo melhor, mais bondoso.  Façamos nossa vida voltada exclusivamente para o amor e para sua  principal e mais importante qualidade que dele deriva e que um ser humano pode ter: A CARIDADE



2.     Lei de respeito a toda criação de Deus


       Lei de proteção à natureza e a todo ser vivente.  Para nós, os Umbandistas, os Orixás são energias da natureza. A natureza não pertence ao ser humano, o ser humano é com  a natureza.  Por isso, devemos deixar que ela entre por nossos sentidos , afirme-se em  nossa  mente e nossa alma dela faça parte. Assim não podemos ser omissos perante a destruição da natureza e muito menos participar de sua destruição.  Sejam animais, sejam vegetais ou minerais, todos eles são criação de nosso Pai e, portanto, devemos  preservá-los e respeitá-los.  O mundo em que vivemos é formado pela energia de todas  criaturas de Deus.  Há uma interação entre as energias de todos os reinos: animal, vegetal, mineral e hominal.  Por isso, a destruição de um deles significa também a destruição dos outros.



 SINCRETISMO RELIGIOSO EM NOSSA RELIGIÃO

Além dessas leis, a Umbanda pela sua origem é uma religião Cristã.  Possui sincretismo com o Candomblé, no tocante à existência dos Orixás.  Do Espiritismo, e das religiões orientais, originam-se os demais conceitos básicos da religião.  No entanto, como uma religião que tem seus próprios dogmas e suas próprias bases filosóficas, vários dos conceitos existentes nas religiões que as influenciaram tem um significado próprio dentro da Umbanda. 

Há um grande sincretismo religioso na Umbanda, com o Catolicismo, com religiões espiritualistas, em especial o Espiritismo, e com o Candomblé. Se formos além das fronteiras do Brasil, veremos que também as religiões orientais tiveram uma grande influência sobre nossa Umbanda, em especial no tocante aos trabalhos com respeito à saúde. Os conceitos referentes à reencarnação, ao livre arbítrio, à responsabilidade pessoal por nossos atos e outros advêm tanto do espiritismo como das religiões orientais.

Do Catolicismo esse sincretismo deve-se a que os negros trazidos para o Brasil, nas casas de seus senhores eram obrigados a se batizar, receber um nome português e adotar a doutrina Católica. Como forma de continuar cultuando seus Orixás, sem que seus donos ou os padres percebessem, os negros passaram cultuá-los através dos santos católicos. Então cada santo passou a representar um Orixá; na realidade os primeiros negros não cultuavam os santos católicos. No caso específico dos Orixás o sincretismo é visto com mais força no tocante ao nome das antigas tendas, pois sendo proibido colocar o nome dos Orixás, os Pais de Terreiro colocavam o nome de santos católicos.  Assim, ainda hoje temos alguns Orixás que pelo sincretismo são mais conhecidos como santos católicos Oxalá (Jesus Cristo) Omolu (S. Lázaro); Ogum (S. Jorge); Oxossi (S. Sebastião – Na Bahia esse sincretismo muda - pois S. Jorge passa a ser Oxossi e S. Sebastião), Ogum); Ossãe (S.Bartolomeu);  Iansã (Santa Bárbara); Xangô (S. Jerônimo); Oxum (N.Sra. da Conceição); Oxumare (N. Sra. das Graças); Ibeji (Cosme e Damião); Iemanjá (N.Sra. da Glória, N.Sra. dos Navegantes na Bahia) e Nana (Sant’Ana).
A partir da década de 1930 algumas Tendas começaram a denominar-se com o nome de Orixás.
Logo a seguir a Igreja Católica proibiu a existência e uso de imagens católicas dentro das Tendas.  Nesse momento o sincretismo já estava muito forte e também a Umbanda já possuía sua organização através da União Espiritista do Brasil, que congregava as Tendas criadas a partir do advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas.  Através dessa União, foi encomendada, a um artista francês, residente no Rio, a quadros representando os Orixás na Umbanda. Chegou a ser concluída uma pintura representando Oxalá (que era Jesus Cristo dentro de uma grande luz amarela que representava o Sol) e foram feitas, também, as de Iemanjá e Oxum.  A que mais se firmou foi a de Iemanjá que até hoje é encontrada nos templos de Umbanda.

Do Candomblé vêm os Orixás que foram trazidos pelos Pretos Velhos.

Do Espiritismo, até porque origem da Umbanda se deu em uma mesa kardecista, veio a filosofia cristã da Umbanda e também a reencarnação.

FUNDAMENTOS DA UMBANDA         


A  Umbanda,  como  toda religião,  tem princípios religiosos e filosóficos básicos que buscam lhe dar coerência servindo de fundamentos  e orientações para os seus seguidores ou fiéis.  A Umbanda possui sete princípios que a sustentam.

O primeiro é a crença em um Deus único.

O segundo é a aceitação de Jesus, o Cristo como um filho especial de Deus, chegado à total evolução e à capacidade mediúnica plena.

O terceiro é a existência, em nós, da centelha divina (por isso somos também filhos de Deus).

O quarto  é a existência de vida após a morte e a comunicação com as almas

O quinto é a existência do carma.

O sexto é o exercício do livre arbítrio.

O sétimo é a certeza da reencarnação.

A Umbanda  é uma religião que deve ser professada sem medos, sem preconceitos e sem superstições visando nossa libertação.  Não se pode imaginar um Deus que seja vingativo, punitivo e que esteja atento ao ser humano sempre com a finalidade de apanhá-lo em pecados, em faltas e puní-los. A grande finalidade de uma religião é levar o homem até Deus, como o próprio nome indica, religá-lo à Energia Divina.   




domingo, 31 de julho de 2011

O HOMEM BOM TIRA COISAS BOAS DE SEU CORAÇÃO

O HOMEM BOM TIRA COISAS BOAS DO SEU CORAÇÃO

Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons, porque toda árvore é conhecida pelos seus frutos. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, mas o homem mau tira do seu mal coisas más, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio. (Lucas, cap. VI, 43,44,45)


Como que nós podemos imaginar que uma pessoa que labuta o tempo todo em benefício próprio e se preocupa sempre em ter vantagens pessoais, em passar por cima de pessoas, que essa pessoa pode ter naquele momento, ou com aquelas ações coisas boas no coração?
O que Cristo nos trás nesta passagem é que não adianta que nós nos acreditemos bons, que nós digamos que somos bons, se as nossas ações nos desmentem. Muitas vezes a gente vê uma pessoa que, se dizendo muito boa, humilha a outra, com palavras ou com ações. Quantas vezes a pessoa faz valer o poder que tem pra prejudicar outras pessoas e, no entanto, se considera um perfeito cristão.

As ações que nós executamos ao longo da nossa vida, elas não são algo separado daquilo que nós somos, são como espelhos nossos. Se queremos saber como somos olhemos as nossas ações, olhemos o nosso comportamento. Observemos aquilo que nós fizemos de errado e busquemos sua correção. De nada adianta eu ficar o tempo todo me culpando porque eu faço algo errado, mas continuar fazendo. Não adianta eu ficar, a vida inteira, arrependido porque eu sou egoísta se eu continuo sendo egoísta. Não se trata de buscar culpa. Não se trata de buscar castigo, Jesus não nos ensinou isto; ele quer que nos preocupemos com a nossa evolução, e ela se dá através da identificação de nossos erros e do trabalho de correção que podemos fazer a partir daí.  

Quantas vezes nós estamos aborrecidos, chateados porque alguma coisa desagradável aconteceu e somente perguntamos porque aquilo aconteceu conosco já que, do nosso ponto de vista, sempre fomos tão bons, nunca fizemos  mal a ninguém, nunca desejamos o mau para ninguém! Mas será que é assim mesmo que eu me comportei? Será que eu não plantei a semente daquilo que estou colhendo?

Muitas vezes falamos: Ah, eu estou sofrendo assim porque Deus quer. Mas, como nós podemos imaginar que a fonte inesgotável da bondade faça alguém sofrer. É inexplicável nós imaginarmos que a fonte da justiça estivesse querendo que uma determinada pessoa sofra? Nossos sofrimentos nós buscamos, assim como a nossa evolução nós também buscamos, assim como a nossa felicidade nós também buscamos. Muitas vezes vemos pessoas que nos espantam com a sua alegria, embora saibamos que ela tem por trás inúmeros problemas, muito maiores do que os nossos, de toda ordem, e, no entanto, aquela vive sorrindo, vive brincando, mais feliz do que nós, que por qualquer pequeno contratempo, por qualquer desejo não satisfeito, por qualquer egoísmo não atendido ou não conseguido, estamos aborrecidos com a vida e maldizendo a hora que nascemos,  reclamando contra Deus, achando que é uma grande injustiça que nos ocorreu.  O não reclamar, o estar feliz, não quer dizer que nós ficaremos parados no sofrimento. Devemos saber que não é parando e nos abatendo, que vamos resolver os problemas. Temos de saber que mesmo com as dificuldades que temos ainda temos uma coisa que ninguém vai nos tirar , somos filhos de Deus e teremos sempre  a oportunidade de sermos felizes. Deus não colocou ninguém aqui para ser infeliz,  Quantas vezes nos agarramos a alguma coisa, a algum bem material, a algum desejo, e nos tornamos infelizes porque não conseguimos aquilo. A nossa evolução está em nós reconhecermos a necessidade de nos apartarmos do excesso de materialidade que nos cerca. A tristeza não é o melhor caminho da evolução. A tristeza não é o melhor caminho para chegar a Deus, seguramente é o caminho mais difícil, seguramente é o caminho mais tortuoso, seguramente é o caminho mais demorado, porque juntamente com a tristeza vem o desespero, junto com a tristeza vem a raiva. Ela, a tristeza, nos traz sentimentos negativos; nós temos que aprender a não sermos tristes; nós temos que aprender a não nos desesperarmos com as dificuldades da vida. As nossas dificuldades não são únicas. Será que se nós olharmos o noticiário de televisão nós ainda vamos nos sentir infelizes? Basta olhar um, não precisa olhar todos não, basta olhar um noticiário de televisão e nós veremos a quantidade de desgraças que ocorrem por este mundo, e ainda assim nós nos sentimos infelizes? Não, não podemos jamais nos sentirmos infelizes, porque nós temos uma coisa que é fundamental, nós termos a crença em Deus, nós sabemos que o nosso caminho para ele é garantido, demore uma, duas, 10, 1000 encarnações, mas nós chegaremos lá. A cada encarnação que nós passarmos estaremos nos aproximando de Deus, a nossa luz interior estará se tornando brilhante. Vamos deixar isto na nossa cabeça, vamos guardar isto como um lema, o melhor caminho para a nossa evolução é a alegria de viver, é a alegria de ser filho de Deus, é a alegria da certeza que nós temos de que Deus nos dá, não uma, não duas mas inúmeras chances de voltarmos nesta terra para continuarmos a nossa evolução. Se nós tivermos isto presente no nosso dia a dia, eu tenho a certeza que qualquer tristeza será um fardo muito leve para a gente carregar, qualquer tristeza, não contará mais do que no pequeno momento em que ela aconteceu e depois disto nós teremos força para seguir a diante. Pensemos nisto.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

BEM AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA


1.       Justiça terrena versus Justiça Divina
Do ponto de vista terreno, é aguardar a resposta da justiça humana, em face de determinada ação injusta que sofreu.  A justiça terrena é temporal, é resultado de convenções e leis elaboradas por seres humanos, de acordo com o interesse e o tempo daqueles que estão no poder.  Quando essa justiça falha, o homem passa a esperar uma justiça divina que puna o responsável pelos seus sofrimentos. Imagina uma justiça divina que se caracteriza pela ira de Deus, que pune o pecador ainda nessa vida ou após sua morte. Ditos como: O castigo de Deus é maior / Do castigo de Deus ele não escapa /  Deus tarda, mas não falha. Se algo de ruim acontece ao responsável por aquilo que sofremos já dizemos, Viu? Deus já o está castigando / Ele não sabe que isso ainda não é nada, etc. Acredita-se que a justiça de Deus é aquilo que representa a justiça do homem, ou mesmo, que ela é suplementar à do homem, pois quando esta falha a de Deus vem para corrigir o erro. Na esteira desse conceito, temos o conceito de Céu e de Inferno, que seriam os lugares onde Deus faria a sua justiça, quando o homem morresse.

2.       Dever e Justiça
Quando o homem se preocupa mais com seus direitos que com seus deveres, passa a ter um comportamento egoísta. A voz da consciência não é ouvida por ele; apenas seus interesses materiais são importantes; apenas a justiça que lhe reponha o que pretensamente lhe foi tirado é o que importa. A justiça para este homem é conseguir tudo o que ele acha que tem direito, não importando o direito dos outros, chegando mesmo a negar o direito de outros, em função do seu interesse. Por isso, na maioria das vezes, por essa falta de medidas o direito torna-se um enorme egoísmo; o cumprimento do dever é sempre o amor. Aqui não falamos, simplesmente, do dever material, mas também do dever espiritual, que vem do Evangelho de Cristo. A maior justiça se faz pelo amor e não pela punição.

3.       Julgamento
O julgamento maior, aquele que pode nos levar à evolução é o julgamento que nós mesmos fazemos a respeito de nossos atos, de nossos sentimentos, de nossas palavras, de nossas falhas. Por isso, nele nós acusamos nossos erros, nossas faltas, nossas intolerâncias, nossos egoísmos, etc. Esse é o Julgamento Divino que devemos esperar, pois outro não haverá, já que Deus está em nós. Somos nós que nos julgamos, tanto em vida como após a morte. Na busca da evolução saberemos o quanto já caminhamos e o quanto perdemos de tempo nesta e em outras existências. Esse julgamento não se dá, portanto, como um julgamento terreno que se dá dentro dos trâmites da justiça, na dependência daquilo que acham outros homens, de sua interpretação da lei. Ela se dá em nossa consciência, na compreensão de que somos filhos de Deus e que em nosso interior existe uma Centelha Divina que deverá, ao longo de nosso processo de evolução deve crescer até que sejamos plenamente luminosos, como o foi Jesus e como deve ser um Filho de Deus.
4.       Os que têm fome e sede de Justiça
Colocadas as premissas, o que chamamos então de “os que têm fome e sede de justiça”?
Temos dois tipos de homens que “têm fome e sede de justiça”:
a.       o primeiro é aquele que tendo despertada recentemente sua consciência a respeito das coisas do espírito, começa a se questionar sobre:
·         a forma de construir sua existência,
·         o valor das buscas e vitórias materiais,
·          o tipo de vida que leva, sem se importar com seu lado espiritual,
·         sua qualidade de vida,
·         seus atos e suas obras
·         etc.
Tendo iniciado esses questionamentos segue em frente buscando cada vez mais o caminho da evolução, abandonando a procura do ter e passa a buscar o ser.
b.      O segundo, é aquele que já de há muito conhece e labuta sobre sua evolução espiritual, tendo sempre a preocupação de avaliar sua relação com seu Deus Interior, com sua Centelha e busca a perfeição.

O primeiro começa, com esse novo posicionamento perante a vida, em especial, com sua aceitação da necessidade de dedicar-se mais à vida espiritual, a aproximar-se da virtude e tornar-se virtuoso.  Antes ele buscava parecer (ou não) religioso, apresentar-se como um homem bom, até praticando o bem, mas não se preocupando de fato com sua evolução. Agora, no entanto, sua postura frente à vida é diferente. Ele sabe que agora tem de evoluir e que não deve contrariar a finalidade de sua existência neste mundo e, por isso, se vigia para não incorrer nos erros grosseiros que cometia antes.
Já o segundo, ultrapassou esse estágio e agora é um homem sábio, faz, sem dificuldade, tudo aquilo que pode contribuir para sua completa iluminação. Sua bondade não é forçada, é natural.
O primeiro tem fome e sede de justiça porque despertada sua consciência quer agora consertar os seus erros, reparar seus atos maus ou vis. A justiça para ele é o resgate, ainda em vida, desses erros e atos, censurando, agora, nos outros que os cometem, e censura a si mesmo por haver incorrido nesses atos.
O segundo busca seu caminho para a sabedoria, já não praticava tais atos, não censura outros porque sabe que cada um tem sua hora e vez de caminhar, que o tempo da evolução de cada um é diferente, mas que todos chegaremos a Deus, após muitas encarnações.
O primeiro tem fome e sede da justiça, no sentido de redimir-se; o segundo porque busca cada vez mais a retidão de seus atos. No primeiro o sentido é de justiça no sentido exato da palavra. Busca redimir-se, aceita as penas para seus erros,pede a Deus que o fortaleça, e começa a compreender a importância do Evangelho em sua vida.. No segundo o sentido de justiça refere-se à justeza de seu comportamento, à retidão de seus atos, à certeza de que está, de há muito, no caminho certo. Não necessita mais aprender que seguir o Evangelho é o único caminho que o leva a Deus, ele já o sabe.


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A FÉ

Não há mais como negar que a fé é algo que hoje vem sendo comprovado.  Ela vem sendo  constatada inclusive pela ciência.  A fé não pode nascer da ansiedade.  Muitos dizem ter fé, mas na verdade estão ansiosos.  Quantos nessa ansiedade emitem conceitos negativos que vão para o espaço, plasmando formas pensamentos que se tornam realidade a partir da falta de fé e da ansiedade que temos em resolver nossos problemas pessoais.  Quantas vezes uma mulher engravida depois de adotar uma criança?  A Fé é um caminho de ida em nossa vida, jamais volta.  Aquele que realmente tem fé treme, mas não cai: ”Filho de Umbanda balança, mas não cai”.  Essa frase de um ponto histórico, conhecido por, provavelmente, todos os Terreiros existentes no Brasil, dá uma demonstração do que significa a fé para um Umbandista.  Mesmo nas horas mais difíceis da vida ele se agarra ao Preto Velho, ao Caboclo, ao Exu, à Criança e quando percebe já ultrapassou aqueles momentos que considerava impossíveis de superar.
Quantas pessoas entram em desespero ao se defrontarem com as vicissitudes que enfrentamos no nosso dia a dia e não contam com o refrigério da Fé para ajudá-las na superação das dificuldades. Essa nossa Fé não é aquela Fé cega que as crianças têm perante as habilidades de um mago.  Não esperamos que como em um passe de mágica nossos problemas vão desaparecer só porque me sentei aos pés de uma entidade de Luz, de um Preto Velho ou um Caboclo. Nossa Fé é aquela que sabe que temos nossa responsabilidade e nosso livre arbítrio como governantes maiores de nossos caminhos. Nossa Fé deve abranger todos os aspectos de nossa Religião.  Se tivermos Fé saberemos que, se hoje o momento pelo qual passamos é difícil, será melhor amanhã.  Saberemos que o que estamos aprendendo neste mundo com as dificuldades que temos de vencer será, amanhã, em outra existência estarei melhorado, mais luminoso e sem a necessidade de continuar aprendendo uma lição na qual já fomos aprovados.
Como Umbandistas, devemos ter a Fé como suporte para nossas vidas. Temos a bênção de acreditar na comunicação com as Almas, de acreditarmos na vida após a morte, na reencarnação, o que dá outro sentido a essa nossa passagem por essa existência.  Podemos chegar aos pés de um Preto Velho, junto a um Caboclo, a um Exu e a outras entidades de luz que nos ajudam a superar nosso dia a dia, com dignidade, resignação e espiritualidade,  enquanto encarnados, para que após nossa passagem possamos chegar ao Plano Espiritual melhorados, mais evoluídos, com maior luz própria. 
A Fé é, portanto, a principal característica que nós, religiosos, Umbandistas devemos ter. Ela é base de toda nossa religião, como de resto, de qualquer outra religião. A Fé permite que nos liguemos à Energia Primordial, através de nossas orações e de nossos pensamentos.  A Fé permite que sigamos em frente, que caminhemos, em nossa vida, apesar dos percalços. Nela, nós nos fortalecemos. Devemos ter fé em nós, em Deus, nas entidades de luz, enquanto mensageiras do plano astral.  Quando uma dessas entidades nos fala que aquele problema que estamos expondo logo será resolvido, devemos ter a fé de que ele será resolvido, sem, no entanto, querer que num passe de mágica seja tirada de nosso caminho aquela dificuldade.  As entidades não podem influir sobre nossa vida passando sobre o livre arbítrio de nosso espírito.  Aquilo que programamos como nosso aprendizado vai acontecer. Nessa ou em outras encarnações. Pode acontecer conosco em como religiosos e com fé ou não. A diferença pois, é que com a fé teremos o apoio dessas entidades enquanto, sem a fé, estaremos só.  Devemos lembrar sempre daquela frase (se não me engano de Papus): DEUS É TÃO BOM QUE MESMO AQUELES QUE NÃO ACREDITAM EM DEUS UM DIA VERÃO A DEUS.  Essa frase nos diz, nos ensina pelo menos duas situações que são inevitáveis: a primeira é a evolução, pois somente com ela chegaremos à nossa plena luminosidade, e, consequentemente, à visão de Deus; a segunda é que a reencarnação é necessária, pois somente com a pluralidade das vidas chegaremos ao estágio de poder ver a Deus.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

FELIZES OS MISERICORDIOSOS PORQUE ENCONTRARÃO A MISERICÓRDIA



      O que é a misericórdia?
Sentimento de dor e solidariedade causado pela miséria alheia, segundo o Dicionário Aulete.  Vem do latim da palavra misericórdia, que por sua vez é formada pela palavra miserere, que significa tende piedade e de cor, cordis, que significa coração.  Ou seja, “misericórdia é ter piedade no coração” e “misericordioso, aquele que tem piedade no coração”.

      O que é piedade?
Ainda segundo o Aulete, no sentido religioso, é ter devoção, amor e respeito pelos assuntos ou coisas religiosas; é ter religiosidade. No sentido da relação com os outros seres humanos é o sentimento de compaixão pelo sofrimento dos outros.
O Evangelho fala em suas distintas passagens utiliza as duas acepções, seja a da religiosidade, seja a da compaixão. Por exemplo, quando, em Mateus, 6, versículos 5 e 6, Jesus fala sobre a relação com Deus, nos diz:
 “Quando vocês rezarem, não sejam como os hipócritas, que gostam de rezar em pé nas sinagogas e nas esquinas, para serem vistos pelos homens. Eu garanto a vocês: eles já receberam a recompensa” (Versículo 5).
O que quis Jesus dizer aqui com eles já receberam a recompensa? Já que eles buscavam ser vistos pelos homens, eles já o foram e, por isso, não serão vistos por Deus. Mas o que lhes faltou, já que eles rezaram? Na verdade faltou-lhes piedade, religiosidade, respeito por Deus, pois utilizaram a religião para apresentar-se, socialmente, ou seja, para os homens, como se fossem religiosos.
 “Ao contrário, quando você rezar, entre no seu quarto, feche a porta, e reze ao seu Pai, ocultamente; e o seu Pai, que vê o escondido, recompensará você” (Versículo 6).
Como Jesus recomenda que rezemos ao Pai? Em perfeita comunhão com a Energia Divina, com Deus, em particular, dirigindo-nos, exclusivamente, a Ele. Isso é piedade, religiosidade.
Quando, no mesmo Evangelho de Mateus, no capítulo cinco, versículos 39 a 48, nos fala:
“Eu, porém, lhes digo: não se vinguem de quem lhes fez o mal. Pelo contrário, se alguém lhe dá um tapa na face direita, ofereça-lhe também a esquerda” (versículo 39).
“Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aquele que perseguem vocês” (versículo 45).
“Assim vocês se tornarão filhos do pai que está no Céu, porque ele faz o sol nascer sobre os maus e os bons e cair a chuva sobre os justos e os injustos” (versículo 46).
Aqui, nessas recomendações, cheias de piedade, na segunda acepção da palavra, Jesus nos ensina a misericórdia.
  
      Qual sofrimento podemos dizer que está no Evangelho de Cristo?
O sofrimento, que consciente ou inconscientemente, nosso espírito passa, com a percepção de nossos erros, de nossa falta de amor ao próximo; o sofrimento, presente ou futuro, daqueles que não compreendem a necessidade de evoluir espiritualmente, através da correção de nossos pendores espirituais, mentais e psíquicos. 

      Assim, o que é ser misericordioso?
Ser misericordioso é ter piedade no coração, compreender aos irmãos encarnados e desencarnados, em suas ações que demonstram o desconhecimento de Deus e de seu Deus interior, da sua Centelha Divina. Ações de raiva, de inveja, de grosseria, de ambição, de agressão, de egoísmo, de maldade, etc. Quando compreendemos que os defeitos de nossos irmãos são fruto desse desconhecimento de Deus, de nossa filiação a essa Energia Divina, nós não teremos raiva, mágoas, aborrecimentos, mas, sim, tolerância, amor e caridade para com eles. Não iremos buscar justiça, nem perdoá-los, mas compreendê-los.

      Mas a justiça se fará?
À misericórdia não interessa se a justiça será feita, simplesmente porque ela se preocupa somente com a justiça de Deus, que é diferente da justiça dos homens. Não toma o misericordioso em suas mãos o fazer a justiça, deixa àqueles que têm isso por ofício; ele não julga, ele não condena, ele não perdoa. Ele apenas se apieda dos seus irmãos, sem superioridade, consciente, que é, de seus próprios defeitos. Ele sabe que o momento de evolução de cada irmão é individual e solitário. Ele tem compaixão por aquele que ainda incorre nos mesmos erros que ele incorria em passado próximo. Mas tem também esperança, pois sabe que no seu tempo, também aquele irmão irá despertar do seu sono e abrir seus olhos para o alvorecer do espírito.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A PALAVRA QUE REVELA DEUS AOS HOMENS


        I.      
No começo a palavra já existia: a Palavra estava voltada para Deus e a Palavra era Deus. Tudo foi feito por meio dela e de tudo o que existe, nada foi feito sem ela. Nela estava a Vida e a Vida era a Luz dos homens. Essa Luz brilha nas trevas e as trevas não conseguiram apagá-la (João, 1, 1 a 5). E a Palavra se fez homem e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória: glória do Filho único do Pai, cheio de amor e fidelidade (João, 1, 14).  Porque da sua plenitude todos nós recebemos, e um amor que corresponde ao seu amor. Porque a Lei foi dada por Moisés, mas o amor e a fidelidade vieram através de Jesus Cristo (João, 1, 16 a 17).
Todo esse trecho do Evangelho de João remete-se ao conceito de Logos, aqui traduzida como Palavra. Logos, em grego, era a palavra escrita ou falada. Para os filósofos, Logos passou a ser algo assim como razão, como racionalidade, princípio da Ordem Universal, da Beleza Universal.
Deus não é um homem, como figurado em outras religiões cristãs; Deus é Indizível, e Inominável, é Infinito, é Desconhecido.  Como diz João, ninguém jamais viu Deus e quem nos revelou Deus, foi o Filho único que está junto ao Pai. Deus é fonte de todas as boas qualidades e bons sentimentos. Ele é a fonte de onde vem a Energia que nos vivifica, por isso, tudo veio através de seu mensageiro, seu Filho. Essa Energia é a Luz Crística que a tudo e todos envolve no Universo. Tudo e todos foram criados através dessa Energia. Ela é como “o vento que sopra, nós o escutamos, mas não sabemos de onde vem, nem para onde vai (João, 3, 8)”.
Traduzido por João como Palavra, ele dá a essa Palavra toda a capacidade de ser a Luz dos Homens, a Luz que brilha nas trevas.
Jesus, o Jesus histórico, é o espírito totalmente evoluído que será a perfeita encarnação de Deus. A perfeita Luz Divina, Luz Crística, que representa tudo aquilo que todos os filhos de Deus podem ser e serão em alguma das suas encarnações.
Jesus chega ao mundo, como um espírito plenamente evoluído, com sua Luz interior no ápice do que pode um ser humano ter. Ninguém, antes ou depois Dele, conseguiu tal nível de luminosidade. Ele não era iluminado, era luminoso, possuía Luz própria, e por isso foi chamado o Filho Unigênito de Deus, ou Filho Único de Deus. Também, por isso, João diz que o Logos estava voltado para Deus, e que a Palavra era Deus, e que tudo foi feito por meio Dela. Jesus, ao atingir a plena luminosidade passa a ser um enviado de Deus, o Filho de Deus. Essa Palavra de Deus ao qual João se refere, provinha do Cristo interior de Jesus. A Luz que brilha nas trevas e que as trevas não conseguiram apagar eram seus ensinamentos, seus atos, que vinham para nos dar a evolução espiritual; já as trevas, simbolicamente, representam o momento da humanidade, ainda iniciando sua  espiritualização.
Ao dizer que na Luz estava a Vida e que a Vida era a Luz dos homens, fala dessa Centelha Divina, dessa Chama em evolução que temos dentro de nós e que nos vivifica, fala de nosso Espírito, tornando-nos capazes de alçar vôos mais elevados na espiritualidade. O próprio Jesus, o Cristo, nos diz que somos a Luz do Mundo (Mateus, 5, 14). Nós também somos filhos de Deus (Mateus, 5, 16). Isto nos dá a oportunidade de um crescimento espiritual; não podemos e não devemos ficar parados no tempo; devemos aproveitar as vidas, que nos são dadas, para avançar na senda da espiritualidade. Jesus é o Espírito, plenamente evoluído, que deveremos ter como exemplo, como sinal de que poderemos também chegar ao nível máximo da espiritualização. Como Jesus disse, poderemos também dizer, Eu e o meu Pai. Quando João fala de Jesus, o Cristo, cheio de amor e fidelidade, refere-se não só ao Pai, como também a nós, seus irmãos, no caminho da evolução e desenvolvimento de nosso próprio Cristo interior.  
A Lei veio através de Moisés. Na sua viagem pelo deserto, levando as doze tribos de Israel, Moisés necessitava regras de procedimentos para evitar o desmantelamento de toda a organização, familiar, econômica e moral. Já Jesus nos traz o amor; nosso Deus, que ele representa, já não é um Deus tirânico, vingativo, que coloca seus filhos sempre à prova, como se vê no Antigo Testamento; é um Deus de amor, que nos ajuda, nos momentos em que mais precisamos; é um Deus que não nos condena; ao contrário, nos dá oportunidades atrás de oportunidades para caminharmos o caminho que nos leva para próximo dele.