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sábado, 29 de junho de 2013

O DIA EM QUE JESUS APRENDEU (E ENSINOU-NOS) A ACABAR COM A DISCRIMINAÇÃO E O PRECONCEITO.

Uma introdução se faz necessária para que compreendamos a importância da passagem bíblica que exporemos.
As terras de Canaã  situavam-se onde hoje se encontra o estado de Israel, era, se comparada aos desertos entre os quais se encontrava encravada, uma verdadeira terra prometida, tendo em vista a fartura de frutas, azeitonas, mel, etc. Os povos que ali viviam eram politeístas e um de seus deuses era Baal, possivelmente um deus relacionado à fecundidade, combatido pelos hebreus, conforme citado no Velho Testamento.
Jesus chegou à região das cidades de Tiro e Sidônia.
Dirigindo-se então a Jesus, uma cananéia, aos gritos, diz a Ele: “Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim. Minha filha está sendo cruelmente atormentada por um demônio”.  Mas Jesus não lhe dá resposta alguma.   Os discípulos se dirigem ao Mestre e lhe pedem:  “Manda embora essa mulher, porque ela vem gritando atrás de nós”.  Jesus respondeu:  “Eu fui mandado somente para as ovelhas perdidas do povo de Israel”.  Mas a mulher, aproximando-se, ajoelhou-se diante de Jesus e começou a implorar: “Senhor, ajuda-me”.  Jesus lhe disse: “Não está certo tirar o pão da boca dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”.  A mulher disse a Jesus: “sim, senhor, é verdade, mas também os cachorrinhos comem as migalhas da mesa de seus donos”.  Diante disso, Jesus lhe disse: “mulher, é grande sua fé! Seja feito como você quer”. E desde esse momento a filha dela ficou curada. (Mat. 15 – 22 a 28)
Como vemos, uma mulher, considerada pagã, adoradora de deuses combatidos pelos hebreus, atira-se aos pés de Jesus e lhe implora a cura de sua filha. Da parte dessa mulher  vemos a humildade exposta por suas palavras, ao chamar Jesus de Senhor, filho de Davi, e ao se prostrar aos seus pés. Podemos imaginar, naquela época, quando as superstições campeavam livres no imaginário popular, uma mulher, desprender-se de suas crenças, das imposições sociais e suplicar com tanta insistência ao representante de outra raça e de outro credo.  Como entender que ela não só se aceitasse ser comparada por Jesus a cachorros, como ainda responder-lhe comparando-se a cachorrinho?  Somente a fé e o amor de uma mãe levaria essa mulher a isso.
Por outro lado, vemos Jesus esquivando-se de ajudá-la sob o argumento de que viera somente para as ovelhas perdidas do povo de Israel. Naquela época, o preconceito contra pagãos, samaritanos e mesmo Nazarenos era muito forte entre as tribos de Israel. Tanto que Jesus querendo dar ênfase à caridade e ao conceito de próximo, na parábola do bom samaritano, utiliza-o para mostrar que, apesar do preconceito que tinham com o samaritano, ele podia ser superior em algumas atitudes, até com relação às classes consideradas altas, do povo hebreu, como os fariseus e os levitas, que possuíam altas funções religiosas e políticas reservadas somente a eles. No tocante a Nazaré, sabemos que para os judeus, "nada de bom poderia provir de Nazaré".
Seus apóstolos, vendo a mulher gritar, e não sendo ela uma judia, pedem que ele a mande embora, pois seus gritos os incomodavam.
Jesus, no entanto, ao ver a fé e a humidade da mulher, superando os preconceitos sociais, religiosos e étnicos, cura a sua filha.
Podemos dizer que, nesse momento, Jesus aprendeu a ver a todos como iguais. Ali, Jesus universalizou seus ensinamentos e ampliou sua missão para o atendimento a todos os homens e mulheres, independente de suas origens.  Deixou de ser um exemplo para os judeus e passou a sê-lo para o mundo.
Essa passagem da Bíblia, através  das atitudes narradas, traz para nós o exemplo da humildade, da aceitação dos diferentes e da cooperação possível entre eles. No mundo atual, onde o preconceito, a vaidade e o orgulho ainda se encontram presentes em nossa sociedade, devemos nos mirar nessa passagem do evangelho para avaliarmos nossas atitudes e comportamentos frente aos nossos irmãos. Podemos, qualquer um de nós, condenar alguém porque professa outra religião, ou por ser de outra raça, outra cor, ou por ser de outra classe social, ou, ainda, de outra orientação sexual?  Jesus mostra sua tolerância em vários momentos de seus ensinamentos, como, por exemplo no caso da mulher pega em adultério, quando ele diz que aquele que nunca errou que atirasse a primeira pedra e, após a retirada dos acusadores, ele a mandou ir-se e que não errasse novamente.
A tolerância é a contrapartida do preconceito. Se somos tolerantes, aceitaremos nossos irmão como são, sem julgamento.
Assim, o verdadeiro cristão não julga, e, portanto, nem condena, nem perdoa, seus irmãos. Na verdade, ele simplesmente compreende seus irmãos, sem guardar qualquer tipo de sentimento negativo com relação a eles, pois compreende o evangelho cristão e o coloca em prática no seu dia a dia.